Título: Opção do BC é frear o crédito
Autor: Farid, Jacqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/06/2008, Economia, p. B14

Economista sugere elevação do capital de bancos

Iniciativas para conter o ritmo de expansão do crédito e reduzir os gastos públicos são esperadas por economistas como complemento da alta da Selic para domar a inflação nos próximos meses. Para especialistas, o Banco Central (BC) não dispõe, no momento, de muitas alternativas para reduzir o crescimento na demanda doméstica.

No momento em que os automóveis são financiados em 72 meses e o prazo médio das operações de crédito para pessoa física chega a 457 dias - em janeiro de 2007 não ultrapassava 374 dias -, o ex-diretor de Política Monetária do BC e atual chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, lembra que ¿o BC tem alternativas para que os bancos possam conceder menos crédito¿.

A melhor opção, segundo ele, é uma via de mão dupla que inclui, juntas ou separadas, exigências de maiores provisões dos bancos para a concessão de crédito e elevação da exigência de capital para as instituições financeiras. As duas iniciativas, segundo ele, diminuiriam a oferta de crédito sem onerar mais os consumidores. Ele descarta a hipótese de elevar o depósito compulsório dos bancos. ¿Essa iniciativa rebateria direto no consumidor, enquanto as provisões e a exigência de capital afetam os bancos¿, disse.

O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ, acredita que medidas adicionais de controle da expansão do crédito teriam importante efeito sobre a demanda. Para ele, a melhor companhia para a continuidade de elevação da Selic é ¿um sinal concreto¿ de elevação do superávit primário.

Segundo Cunha, este ano as contas públicas não preocupam, mas no ano que vem a situação estará mais complicada, já que o aumento do salário mínimo será significativo, pois está vinculado ao INPC, cuja variação ele espera que chegue a 8% em 2008, acima do IPCA. Com a desaceleração na economia, haverá também um crescimento menor da arrecadação. Ambas as variáveis têm efeito significativo nos gastos do governo.

Para Marcela Prada, analista da Tendências Consultoria, a elevação da Selic e a própria alta da inflação serão suficientes para conter a expansão da demanda e, talvez, não seja necessário conter o crédito. Ela já projeta a desaceleração no crescimento do crédito para pessoa física em 2008, para 22%, ante 28% no ano passado. ¿Há uma desaceleração com os juros e o aumento do IOF¿, disse.