Título: Evo pede a Exército que garanta plebiscito
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/06/2008, Internacional, p. A14
Crise boliviana agrava-se após oposição negar-se a participar de referendo
O governo boliviano ameaçou processar os governadores da oposição por tentativa de golpe e pediu às forças de segurança do país que ¿façam com que a Constituição seja respeitada¿. ¿Quero dizer às Forças Armadas e à Polícia que vocês devem dar o exemplo ao respeitar as normas e fazer a Constituição ser cumprida¿, afirmou o presidente Evo Morales num discurso em que criticou duramente a oposição durante a celebração do 182º aniversário da Polícia Nacional boliviana, em La Paz.
Na segunda-feira à noite, governadores dos cinco departamentos (Estados) opositores anunciaram que não participarão do referendo revogatório que o governo central pretende realizar em agosto e defenderam a convocação de eleições antecipadas. O anúncio e a resposta de Evo agravam a crise política na qual a Bolívia está mergulhada.
Se a proposta de eleições antecipadas fosse aceita, nem os atuais governadores nem Evo poderiam candidatar-se novamente - já que a Constituição boliviana proíbe a reeleição. Mas há poucas chances de que o presidente concorde com tais condições. La Paz prefere apoiar o referendo revogatório convocado em dezembro para dar uma saída à crise provocada pela polêmica aprovação de um novo projeto de Constituição.
Pela proposta, Evo e os nove governadores bolivianos deverão ter seus mandatos confirmados ou não pela população nas urnas. Inicialmente, a oposição regional parecia haver concordado em participar dessa tal consulta.
Num comunicado divulgado na segunda-feira, porém, eles condicionaram a votação ao reconhecimento, por parte do governo, dos referendos que endossaram a autonomia das regiões. ¿O referendo convocado pelo governo nacional não será realizado (nos departamentos) a não ser que a convocação se ajuste aos estatutos autonômicos¿, diz a carta.
Nos últimos dois meses, os departamentos opositores de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, realizaram referendos locais, não reconhecidos por La Paz, nos quais seus habitantes aprovaram estatutos que lhes dão mais autonomia em questões administrativas e financeiras.
O governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, quer um referendo semelhante em seu departamento. Os estatutos, porém, são considerados ilegais pelo governo central.
Segundo Evo, os líderes opositores recusam-se a aceitar as consultas populares porque ¿têm medo do povo¿ e ¿querem continuar roubando¿ dinheiro público. Em seu discurso, o presidente também rejeitou o diálogo com governadores dos departamentos opositores.
De acordo com o ministro do Interior, Juan Ramón Quintana, os governadores dos cinco departamentos opositores estão tentando ¿levar o país ao confronto¿. ¿Eles devem se submeter à lei e voltar ao caminho da obediência constitucional¿ afirmou Quintana. ¿O povo decidirá, por meio do voto, quem vai embora e quem permanece (no cargo).¿
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