Título: Disparada da inflação derruba a confiança do consumidor
Autor: Saraiva, Alessandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/06/2008, Economia, p. B5

Índice da FGV mostra queda de 6,5%; expectativa é de piora na economia

O avanço da inflação derrubou o humor do consumidor em junho, revelou ontem pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do mês caiu 6,5% ante alta de 2% em maio. Segundo a fundação, a disparada de preços aumentou a incerteza quanto ao futuro da economia. Essa preocupação foi mais visível entre os consumidores de São Paulo, uma das sete capitais pesquisadas.

¿Em São Paulo, houve queda de 9,3% no ICC¿, afirmou o coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV, Aloísio Campelo. Em junho, houve piora no cenário nacional tanto nas avaliações do consumidor sobre sua situação atual quanto para as expectativas em relação aos próximos meses. Mas foram as projeções para o futuro que mais puxaram para baixo o resultado do índice. ¿Aparentemente, a inflação está gerando uma deterioração nas expectativas dos consumidores para os próximos meses¿, explicou.

O ICC é dividido em dois subindicadores: o Índice de Situação Atual, que caiu 6,3% em junho, ante alta de 2,6% em maio, e o Índice de Expectativas, que caiu 6,6% em junho, em relação ao aumento de 1,6% em maio. Para o cálculo, foram feitas entrevistas em 2 mil domicílios, entre os dias 2 e 20 deste mês.

A projeção de inflação do consumidor para os próximos 12 meses ficou em 7,1%, a maior em quase dois anos. Para o economista, a preocupação é que o avanço da inflação comprometa o crescimento econômico, gerando mais aumentos de juros para conter o avanço da inflação.

O consumidor teme que a desaceleração na economia prejudique o mercado de trabalho. De maio para junho, subiu de 69,1% para 74,5% o total de entrevistados que apostam em maior dificuldade para conseguir emprego nos próximos meses.

Na análise por rendimento do consumidor, houve quedas de confiança nas quatro faixas de renda pesquisadas. ¿O quadro da confiança do consumidor não está tão ruim quanto em outros países. Houve piora sim, em junho, mas falar em pessimismo generalizado é algo muito forte¿, afirmou Campelo.

O consumidor também está mais cauteloso nas projeções de compras. De maio para junho, subiu de 24,9% para 29,2% a fatia dos que estimam comprar menos bens duráveis nos próximos meses. A expectativa de juros altos no segundo semestre contribuiu para isso. Para 57,1% dos entrevistados, os juros vão continuar a subir.