Título: Partidos da oposição apóiam aumento do Bolsa-Família
Autor: Scinocca, Ana Paula; Costa, Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/06/2008, Nacional, p. A10
Parlamentares do DEM e do PSDB afirmam que inflação torna inevitável o reajuste
Perto da eleição, a oposição mudou o discurso e, no lugar de reagir criticamente ao reajuste de 8% do Bolsa-Família, apoiou a medida. "Com o aumento da inflação, o reajuste é inevitável. O pobre não pode pagar a conta", afirmou o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).
Candidato a prefeito de Salvador, ele descartou o caráter "eleitoreiro" do reajuste. "Cada situação é uma situação." Para ele, o governo errou ao não agir antes, deixando ocorrer aumento da inflação.
Na mesma linha, o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), avaliou que o reajuste é necessário por causa da "incompetência do governo". "A inflação saiu do controle, agora não dá para penalizar os mais pobres." Para Maia, "eleitoreira foi a redução da Cide" para a gasolina, o que, diz o governo, compensaria o reajuste de 10% nas refinarias. "Reduzir a Cide do combustível para livrar a classe média foi, sim, eleitoreira. Agora, não dá para não reajustar (o Bolsa-Família), já que houve inflação sobre os alimentos."
O líder do partido no Senado, Agripino Maia (RN), disse que a medida "é eleitoreira e cavilosa", mas que o DEM nada fará para impedi-la.
Entre os tucanos, o discurso não foi muito diferente. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que o aumento é eleitoreiro, mas, por coincidir com uma inflação que cresce, só pode ter "o apoio e a compreensão" do partido.
Com o reajuste anunciado pelo governo, o valor mínimo do Bolsa-Família ficará em R$ 19,72, que deve ser arredondado para R$ 20.