Título: País teve 316 greves no ano passado, diz Dieese
Autor: Silva, Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/07/2008, Economia, p. B11
Embora número geral tenha ficado estável em relação a 2006, houve aumento de paralisações no setor privado
Trabalhadores brasileiros realizaram 316 greves no ano passado, o que resultou em 29 mil horas paradas e um total de 1,43 milhão de funcionários públicos e privados envolvidos nos protestos. Pouco mais da metade (51%) das paralisações ocorreu no setor público, 47% no privado e 2% foram mistas, de acordo com estudo divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Os números estão próximos aos do ano anterior, mas, na comparação com 2004, quando a economia brasileira teve forte crescimento, houve queda de 13% nas greves promovidas por funcionários públicos e aumento de 31% entre trabalhadores privados.
O número de grevistas no mesmo período cresceu 157% nas empresas privadas (para 641,7 mil participantes), e caiu 14% no público (para 713,2 mil). ¿Com o crescimento econômico, houve maior possibilidade de buscar ganhos maiores no setor privado¿, diz o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. Na área pública, houve melhora nas negociações entre governo e trabalhadores, principalmente na esfera federal, afirma ele.
¿Mudou também o caráter das reivindicações¿, constata Lúcio. Segundo ele, até 2004 predominavam reivindicações defensivas, contra perda de direitos já conquistados e reposição salarial. A partir daquele ano, predominaram as reivindicações propositivas, por novas conquistas ou avanços nas condições vigentes. Os trabalhadores passaram a buscar novos direitos, como aumento real e participação nos lucros.
SALÁRIOS
Lúcio ressalta que as paralisações organizadas pelos trabalhadores do setor público normalmente reúnem maior contingente de manifestantes, por envolver categorias como a de professores e policiais, e a duração da greve costuma ser mais longa. Um exemplo citado pelo diretor do Dieese foi a greve dos policias civis de Alagoas, deflagrada em 1º de agosto e encerrada apenas em fevereiro deste ano, com a participação de 2,2 mil profissionais.
No setor privado, predominam greves por empresa e as negociações são mais aceleradas porque a perda de produção numa economia aquecida pode resultar em prejuízos. ¿Normalmente, o empresariado busca solução rápida para os conflitos¿, constata o diretor do Dieese.
Do total de 29 mil horas paradas no ano passado, apenas 14% foram de responsabilidade dos trabalhadores privados.
Dos movimentos realizados no ano passado, cinco de cada seis reivindicações estavam relacionadas às questões de remuneração, como reajustes, participação nos lucros e planos de cargos e salários. O estudo do Dieese, de acordo com Lúcio, tem como base a divulgação de paralisações pela imprensa em geral.
NÚMEROS
1,43 milhão de trabalhadores de diversos setores paralisaram suas atividades em 2007
157% é o aumento do número de grevistas do setor privado em relação a 2004
29 mil é o total de horas não trabalhadas por causa de movimentos grevistas dos funcionários dos setores público e privado
320 foi o total de greves realizadas em todo o País em 2006, ante 209 em 2005 e 302 em 2004