Título: No Senado, homenagem a líder cubano vira ato contra EUA
Autor: Costa, Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/07/2008, Nacional, p. A5
Na sessão em memória aos 155 anos de nascimento de Martí, deputados protestam contra bloqueio da ilha
Após ficar uma semana sem realizar sessões solenes - em decorrência do recesso branco para que os parlamentares comparecessem às convenções partidárias e às festas juninas sem ter o salário descontado - o plenário do Senado retomou ontem a prática, com a homenagem aos 155 anos de nascimento do líder cubano José Martí.
A sessão do Congresso, patrocinada por deputados e senadores, acabou por se transformar em ato de protesto contra as sanções dos Estados Unidos contra Cuba. Nenhum dos parlamentares que discursaram, entre os quais o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), fez qualquer referência à ditadura existente na ilha há mais de 40 anos. Um dos convidados, o presidente da Assembléia do Poder Popular de Cuba, deputado Ricardo Alarcón de Quesada, falou sobre "o terrorismo dos Estados Unidos" contra seu país. Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), um dos signatários do requerimento para a realização da sessão, sugeriu medidas de política externa ao candidato democrata ao governo dos Estados Unidos, Barack Obama.
"Queremos o fim do bloqueio", afirmou Suplicy. Ele pediu a Obama que "cumpra a palavra" dada em agosto de 2007, quando se comprometeu a normalizar a relação entre Cuba e os Estados Unidos.
Outra sessão solene está prevista para amanhã - agora, em memória aos 10 anos da morte do ex-presidente do Senado Humberto Lucena (PMDB-PB). Há 24 pedidos de homenagens na fila. Uma delas deve ser retirada a pedido dos homenageados. Trata-se da iniciativa do senador Magno Malta (PR-ES), que queria homenagear a empresa varejista Armazém Paraíba, da família do senador João Vicente Claudino (PTB-PI).