Título: Ministério Público processa prefeitos
Autor: Kattah, Eduardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/07/2008, Nacional, p. A11

Seis cidades mineiras teriam sido alvo de esquema das ambulâncias

O Ministério Público Federal informou ontem que ajuizou seis ações de improbidade administrativa contra prefeitos, ex-prefeitos e funcionários municipais por desvio de verbas no esquema da máfia dos sanguessugas. A Procuradoria da República em Ipatinga apurou fraude a licitação e superfaturamento na compra de ambulâncias ou equipamentos hospitalares em seis municípios da região leste de Minas: Caratinga, Antônio Dias, Belo Oriente, Conceição de Ipanema, Periquito e Taparuba. O esquema veio à tona há dois anos, com a Operação Sanguessuga, da Polícia Federal.

De acordo com o Ministério Público, em todas as ações ajuizadas, os municípios foram beneficiados por emendas parlamentares de autoria do ex-deputado Cabo Júlio, candidato a vereador em Belo Horizonte pelo PMDB. O ex-parlamentar é acusado de "entabular contato com os prefeitos (...), orientando os administradores a procurarem pelo núcleo empresarial da quadrilha, a fim de definirem os detalhes das fraudes".

Segundo a procuradoria, os processos licitatórios "eram dirigidos" para que os vencedores fossem sempre os indicados pelos integrantes da quadrilha. Os prefeitos e membros das comissões de licitação, segundo o Ministério Público,viabilizavam a seleção da empresa indicada, bem como a compra de ambulâncias superfaturada.

O Ministério Público pede a condenação dos réus pela Lei de Improbidade Administrativa, além do ressarcimento dos recursos e pagamento de multa correspondente a duas ou três vezes o valor - acrescida de juros e correção. Solicita, ainda, a suspensão dos direitos políticos por prazo de 8 a 10 anos e a perda da função pública. Procurado, Cabo Júlio não atendeu à reportagem. Os prefeitos de Caratinga e Periquito já prestaram depoimento e aguardam desdobramentos do caso. Os demais não foram localizados.