Título: Lula pede entrada das Farc no jogo democrático
Autor: Leal, Luciana Nunes; Costa, Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/07/2008, Internacional, p. A13

Não há razão para querer chegar ao poder pela via armada

Ao comemorar ontem o resgate da ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt e outras 14 pessoas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou esperar que o grupo guerrilheiro "tenha sensibilidade para participar do jogo democrático e libertar todos os reféns que ainda existem em suas mãos".

O presidente disse que a guerrilha "precisa ter um fim" e o episódio "deve estar mexendo com a cabeça" das Farc. "Na América do Sul e na América Latina não existe nenhuma razão para alguém querer chegar ao poder pela via armada. Aqui, a democracia reina", afirmou Lula depois de solenidade no Museu Nacional, em Brasília.

O presidente considerou o resgate "uma vitória do governo colombiano, dos que amam a liberdade e a paz" e se disse "extremamente satisfeito" com a libertação dos reféns. "É abominável alguém manter pessoas seqüestradas por uma hora, quanto mais por seis ou sete anos", comentou.

Às custas do contribuinte, cinco senadores viajarão à Colômbia para fazer uma "visita de cortesia" à ex-senadora Ingrid. Farão parte da excursão os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Serys Slhessarenko (PT-MT), José Nery (Psol-PA), Romeu Tuma (DEM-SP) e Rosalba Ciarlini (PMDB-RN). Todos são membros da Comissão de Relações Exteriores e, no entender do senador Nery, desempenharão "importante papel de estimular o processo de paz" na Colômbia. "É um país irmão dilacerado pela guerra, que precisa encontrar a paz", alega Nery. Para Suplicy, a viagem tem ainda o significado de reconhecer a libertação da ex-senadora "como fato importante para a humanidade".

O presidente da comissão, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), avisou ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), sobre a visita. Com o aval de Garibaldi - e autorização para o pagamento de diárias e passagens -, o grupo vai checar se Ingrid se dispõe a recebê-los.

Suplicy admite que o momento é muito delicado para a ex-senadora e é possível que ela prefira dedicar os primeiros meses de seu retorno à família e a questões de seu país. "Eu conversei com o embaixador da Colômbia para que a visita seja feita no momento em que ela ache mais adequado", afirmou Suplicy, que também quer trazer Ingrid ao Brasil.