Título: Ex-refém diz que Lula fez todo o possível
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Fonte: O Estado de São Paulo, 05/07/2008, Internacional, p. A26
Ingrid agradece ao governo brasileiro e diz que pretende visitar o Brasil
A ex-refém Ingrid Betancourt fez ontem seus primeiros elogios ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e anunciou que pretende visitar o País em breve. Em entrevista coletiva em Paris, a ex-senadora e ex-candidata à presidência da Colômbia agradeceu a participação de Lula.
"Ele fez o possível. Eu sou grata ao presidente Lula por todos os seus esforços, mas espero vê-lo logo nesta segunda etapa que é a libertação dos que continuam na floresta. Que os brasileiros não se esqueçam: se o que foi feito ainda não é suficiente, precisamos fazer mais", disse Ingrid.
O governo brasileiro vinha recebendo críticas pelo papel coadjuvante na libertação de Ingrid. Até mesmo nos discursos dos chefes de Estado envolvidos no caso, as autoridades do Brasil não vinham sequer sendo citadas.
Na noite de quarta-feira, ao confirmar oficialmente a libertação de Ingrid, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, agradeceu aos líderes latino-americanos que haviam contribuído para as negociações. Então, Sarkozy citou Argentina, Equador e Venezuela, além dos europeus Suíça e Espanha, sem lembrar do Brasil.
VIAGEM
Ontem, em Paris, Ingrid foi diplomática. "Eu acredito que toda a América Latina se mobilizou pela minha libertação e eu incluo nisso o presidente Lula. Ele fez o necessário para que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, soubesse que era possível contar com o Brasil para manter contatos com a guerrilha."
A ex-refém disse não acreditar que o incidente diplomático ocorrido em 2003, quando um avião da Força Aérea da França pousou clandestinamente em Manaus, à espera de sua suposta libertação, tenha resultado no distanciamento entre o Brasil e os governos de Colômbia e França.
"O que Dominique de Villepin (então primeiro-ministro da França) e o governo francês fizeram foi exatamente o que fez Sarkozy há alguns meses", disse Ingrid, referindo-se a uma operação de resgate autorizada pelo governo da Colômbia, em abril, que permaneceu cerca de uma semana em Bogotá. Além do Brasil, Ingrid pretende visitar também Argentina, Chile, Peru, Equador e Venezuela.