Título: OMS quer que Brasil esclareça reação à vacina
Autor: Leite, Fabiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/07/2008, Vida&, p. A20
Governo da Bahia confirma circulação do vírus entre macacos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitará ao Brasil esclarecimentos sobre a freqüência atual de reações adversas à vacina nacional contra a febre amarela, fabricada pela Fundação Oswaldo Cruz, e informações sobre novas áreas de circulação do vírus e casos de contaminação no País. O órgão também oferecerá auxílio.
Segundo o gerente da Área de Vigilância em Saúde e Gestão de Doenças da Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), Jarbas Barbosa, as medidas foram adotadas após a organização tomar conhecimento, pela imprensa, de questionamentos técnicos sobre esses dois assuntos feitos pelo epidemiologista José Ricardo Pio Marins, coordenador-geral de Doenças Transmissíveis do ministério até maio deste ano. Alertas sobre agravos à saúde por meio de fontes não oficiais são admitidos pelo regulamento sanitário.
Marins encaminhou ao Ministério Público e ao Conselho Federal de Medicina documentos em que acusa o governo de não reconhecer epidemia, "relaxar" no combate à doença e não dar importância a um possível aumento das reações vacinais. Questionou, ainda, a falta de divulgação das áreas de circulação do vírus.
O governo brasileiro garante que a vacina é segura e tornou disponível uma série de estudos realizados até 2007. Foram confirmados depois disso 8 eventos adversos graves (5 mortes), que estariam dentro de limites tolerados. A pasta não informou quantos estão relacionados à vacina da Fiocruz.
"As duas vacinas existentes têm possibilidade de (causar) reações fatais. Em nossa avaliação, hoje não há comportamento anormal. Tivemos no passado, no Peru, e não ficou caracterizado nada com a vacina. Porém, em saúde pública, todo evento tem de ser investigado", disse Barbosa. A Opas recomendou, em março deste ano, que os sistemas de vigilância de efeitos adversos da vacina fossem fortalecidos. Segundo Barbosa, a organização também solicitará dados sobre nova área de circulação do vírus na região de Ribeirão Preto (SP), onde duas pessoas morreram em abril e maio.
Anteontem, o ministério confirmou a circulação do vírus entre macacos na região metropolitana de Salvador. A informação foi divulgada ontem pelo governo estadual, que destacou que "não há necessidade de corrida aos postos de vacinação, uma vez que não existe nenhum caso de febre amarela em humanos".
A Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto informou que há mais 3 óbitos suspeitos em investigação. COLABORARAM TIAGO DÉCIMO E BRÁS HENRIQUE