Título: Inflação volta a 4,5% em 2009, diz BC
Autor: Froufe, Célia
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/07/2008, Economia, p. B3

Para Meirelles, objetivo é evitar que se consolide um ambiente de pessimismo prejudicial à política monetária

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que a autoridade monetária já vem atuando e continuará a agir para trazer a inflação para o centro da meta (4,5%) em 2009, ¿de forma tempestiva¿. ¿Tal atitude visa também a evitar que se consolide um ambiente de pessimismo inflacionário no qual a política monetária perderia eficiência¿, afirmou, no encerramento da conferência ¿O Impacto do Brasil na Economia Global¿, promovida pela Sociedade Americana (Americas Society) e pelo Conselho das Américas (Council of the Americas) em conjunto com o Movimento Brasil Competitivo.

Meirelles enfatizou que não se deve esperar do Banco Central uma atitude complacente com a inflação. ¿Os formadores de opinião e formadores de preços não devem ter dúvidas quanto à disposição da autoridade monetária.¿ Durante o anúncio da definição da meta para o IPCA em 2010 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), houve rumores de que o BC poderia ser mais leniente com a inflação até 2010. Essa interpretação teve como base a declaração do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, de que a inflação convergiria para a meta ¿no máximo¿ até 2010.

O presidente do BC disse que tem convicção de que essa atitude trará, em última instância, os menores custos para a atividade econômica e para a sociedade. ¿E contribuirá para consolidar as fundações de uma estrutura econômica sólida, eficiente e eqüitativa.¿

Ele salientou que o ciclo de exportação de deflação da China e da Índia para o resto do mundo por meio da queda de preços de suas exportações acabou. Segundo ele, o período entre o início da década de 90 e meados de 2007 foi apelidado pelos economistas de ¿era da grande moderação¿, quando a inflação parecia permanentemente estabilizada em níveis baixos, graças ao aumento da credibilidade dos BCs.

Meirelles destacou que até 2007 os BCs de economias maduras adotaram políticas monetárias neutras ou às vezes expansionistas por longos períodos. ¿Os últimos 12 meses viram uma substancial mudança nesse cenário: uma grave crise financeira originada exatamente no setor imobiliário dos Estados Unidos.¿ Ele acrescentou que essa turbulência atingiu as economias desenvolvidas e, em escala global, a pressão de demanda sobre a disponibilidade de fatores de produção levou à aceleração inflacionária.

O presidente do BC ressaltou que as respostas das autoridades monetárias têm variado, mas a ênfase na necessidade de preservar a estabilidade de preços continua de pé. Meirelles avaliou ainda que, seja por causa da elevação dos preços de matérias-primas ou pela pressão da demanda sobre a capacidade produtiva, o fato é que a inflação se encontra em forte aceleração em todo o mundo.

Ele observou que nas economias maduras a alta dos preços das commodities tem tido papel dominante nessa aceleração e nas economias emergentes o aquecimento da demanda interna criou condições para refletir as pressões inicialmente isoladas de preços. ¿Não surpreendentemente, na grande maioria dos países emergentes a política monetária tem se voltado para o combate à inflação por elevações de taxas de juros, que objetivam moderar o ritmo de expansão da demanda.¿

Segundo o presidente do BC, há um consenso entre os bancos centrais de que a economia precisa crescer a taxas mais moderadas e, por isso, tem cabido às autoridades monetárias adotar medidas contracionistas.