Título: Em 15 dias, reservas subiram US$ 3,7 bi
Autor: Nakagawa, Fernando; Graner, Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/07/2008, Economia, p. B3
BC intensifica operação após MP que permite mais títulos na carteira
Após meses de ação discreta, o Banco Central voltou a operar com mais força no mercado cambial. A mudança pode ser vista na evolução das reservas, que subiram US$ 3,7 bilhões em duas semanas. As compras diárias, que estavam na casa das poucas dezenas de milhões, voltaram a somar centenas de milhões e a expectativa é que continuem expressivas enquanto houver entrada de dólares no País. As condições para essa atuação mais forte foram criadas pela nova regra que amplia o volume de títulos do Tesouro Nacional na carteira do BC.
As investidas da autoridade monetária no mercado são cada vez maiores, dizem operadores. Levantamento da Agência Estado com agentes de câmbio revela que na terça-feira, por exemplo, o BC adquiriu cerca de US$ 226 milhões. Na sexta da semana passada, US$ 200 milhões. As compras devem continuar e, assim, será possível absorver a entrada de novos dólares, movimento que deve ser visto enquanto os juros subirem nos próximos meses.
Com essa receita, o Brasil deve seguir o exemplo da Índia, país que somou US$ 30 bilhões às reservas em 2008 e atualmente tem US$ 305 bilhões em caixa. Apesar da crise internacional, os indianos aproveitaram a situação interna favorável e a entrada de investimentos para continuar a acumular dólares. Em 2000, as reservas do país eram de US$ 42 bilhões.
A volta do BC ao mercado cambial só foi possível com a Medida Provisória 435, de 26 de junho, que amplia a possibilidade de o Tesouro Nacional repassar títulos à autoridade monetária. A decisão foi necessária porque o volume de papéis na carteira do BC estava muito baixo. Para técnicos do BC, a necessidade de aumentar a quantidade era ¿urgente¿.
No mesmo dia da MP, o Tesouro repassou R$ 12 bilhões em novos títulos ao BC. A operação aliviou a mesa de operações do banco, que pôde, então, voltar a comprar dólares. Tal alívio acontece porque, quando vai a mercado, o BC compra dólares dos bancos e paga com reais. A operação, porém, não termina aí. Após essa troca, a autoridade monetária volta a mercado para retirar volume equivalente ao dos reais usados na operação de câmbio.