Título: Inflação nos EUA dispara e assusta
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Fonte: O Estado de São Paulo, 17/07/2008, Economia, p. B1
A inflação nos Estados Unidos em junho disparou para a taxa mais alta desde a passagem do furação Katrina, em setembro 2005. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, nas iniciais em inglês) subiu 1,1% em relação a maio e 5% em relação a junho do ano passado, o mais alto desde 1991, informou ontem o governo americano. O mercado esperava 4,5%. O encarecimento de 6% nos preços da energia foi responsável por dois terços do aumento.
Outro relatório, também divulgado ontem, mostra que a renda semanal do americano encolheu 0,9% em junho, trazendo de volta o fantasma da estagflação: período de baixo crescimento da economia e alta da inflação.
A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que o presidente George W. Bush está preocupado com os números, mas confiante de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode lidar com a situação. ¿O presidente está muito preocupado com o impacto dos preços elevados nos americanos, especialmente aqueles de menor renda¿, disse a porta-voz. ¿O presidente reitera o que afirmou ontem (terça-feira), que a saúde da economia depende de a inflação continuar baixa e o Federal Reserve, como disse o presidente (Ben) Bernanke em seu discurso, está monitorando de perto a inflação.¿
O presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, disse que não se deve esperar muito para elevar os juros, sob o risco de criar um sério problema inflacionário. Por sua vez, Wilber Colmerauer, sócio da corretora Liability Solutions e diretor da Câmara de Comércio Brasileira no Reino Unido, disse em entrevista à Broadcast, que o Fed pode estar pagando o preço por ter sido muito agressivo nos cortes de juros. ¿É um número alto, recorde. No curto prazo, os números vão continuar sendo ruins e isso vai gerar reações negativas no mercado.¿
No mês passado, o Fed fez uma pausa na redução dos juros, mantendo a taxa em 2% ao ano.
Para o presidente do Fed, Ben Bernanke, ¿o enorme salto dos preços do petróleo e de outras matérias-primas se deve, em 100%, a fatores fora do controle¿ da autoridade monetária. ¿O Fed não pode produzir petróleo.¿
Os problemas nos Estados Unidos se alastram, afetando fundos de pensão japoneses e de outros países por causa da interligação dos mercados e da elevada exposição dos investidores estrangeiros a ativos americanos. Na Noruega, por exemplo, oito cidades perderam US$ 125 milhões com investimentos em ativos hipotecários americanos.
¿Ainda não chegamos ao fundo do poço¿, disse o economista-chefe da agência de classificação de risco Standard & Poor¿s, David Wyss. Ken Goldstein, economista do centro de análise The Conference Board, diz que o ritmo atual da inflação é fruto da demanda global e não doméstica. ¿É algo que não tínhamos visto nunca.¿