Título: Inflação é prioridade, diz Bernanke
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Fonte: O Estado de São Paulo, 17/07/2008, Economia, p. B3

Para o presidente do Fed, maioria dos americanos tem a percepção de que a economia do país está em recessão

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, disse ontem que o combate à inflação é uma questão prioritária e reconheceu que a maioria dos americanos tem a percepção de que a economia está em recessão. ¿Estes são claramente tempos difíceis¿, disse Bernanke, respondendo ao deputado republicano Ron Paul, um freqüente crítico do Fed, durante sessão do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos.

Para Bernanke, não é tão relevante saber se a economia americana está ou não em recessão, já que se trata de uma definição técnica. ¿Eu não sei e tenho certa confiança de que as pessoas que irão determinar isso também não sabem.¿ Segundo ele, o fato é que as famílias americanas estão enfrentando ¿um período difícil¿. Ele reiterou que espera fraco crescimento econômico no segundo semestre, com o setor imobiliário sem se recuperar até o fim de 2008 ou início de 2009. Mas espera taxas mais normais de expansão no próximo ano.

Os comentários de Bernanke foram feitos depois de o Departamento do Trabalho dos EUA divulgar que os preços ao consumidor subiram 1,1% em junho, o segundo maior aumento desde 1982 e o maior desde 2005. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a alta foi de 5%, a maior desde maio de 1991 e significativamente acima da faixa de 1,5% a 2% que as autoridades do Fed pretendem obter no longo prazo. ¿É muito importante para nós mantermos a estabilidade dos preços¿, afirmou Bernanke. O salto dos preços da energia e de commodities se deve a ¿fatores fora do controle do Federal Reserve¿, argumentou Bernanke.

Bernanke também disse que os EUA precisam ter uma estratégia para energia e acrescentou que ¿teria sido melhor solucionar essa questão algum tempo atrás¿. Segundo o presidente do Fed, uma estratégia para energia poderia até ter tido efeitos benéficos sobre os preços da energia no curto prazo se uma preocupação menor quanto ao desequilíbrio entre oferta e demanda estivesse refletida nos preços futuros.

Em seu depoimento à Câmara, o presidente do Fed disse que as intervenções no mercado de câmbio são ¿algo que deveria ser feito raramente¿, quando os mercados estão desordenados. Ele também disse que ¿o dólar depende, no longo prazo, dos fundamentos (da economia) e depende de nós que os fundamentos estejam corretos¿. Bernanke afirmou também que ¿nossa principal política em relação ao dólar é ter uma economia forte¿ e sua correta definição sustenta a moeda no curto prazo.

Bernanke disse aos membros do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara que, se os congressistas trabalharem efetivamente para um crescimento econômico forte, o fortalecimento do dólar refletirá isso no médio prazo. ¿Nossa principal abordagem para um dólar forte é ter uma economia forte¿, acrescentou o presidente do Fed.