Título: Grupo monta acampamento na sede gaúcha do Incra
Autor: Arruda, Roldão
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/07/2008, Nacional, p. A6
Marcha até capital causou congestionamento na BR-116
Cerca de 600 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) ocuparam ontem o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Porto Alegre, para pedir que o governo apresse o assentamento de mil das 2,5 mil famílias acampadas à beira de estradas no Rio Grande do Sul.
A decisão de acampar nos corredores do prédio de oito andares, localizado na região central da capital gaúcha, foi o último ato de uma manifestação que havia começado ao amanhecer. Às 6h30, o grupo deixou o ginásio do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e iniciou uma caminhada de cerca de 12 quilômetros até a sede do Incra.
O deslocamento dos sem-terra provocou um congestionamento de cerca de dez quilômetros no trecho mais movimentado do Estado na rodovia BR-116. Na entrada de Porto Alegre, o grupo foi revistado pela Brigada Militar, que não encontrou armas entre os manifestantes.
DIFICULDADES
O grupo chegou ao prédio do Incra no início da tarde. O superintendente Mozar Dietrich explicou a uma comissão dos sem-terra que o prazo para o assentamento de mil famílias, acordado em novembro do ano passado e vencido em abril deste ano, teve de ser prorrogado até setembro porque o órgão encontrou dificuldades para desapropriar e adquirir terras no Estado.
Os sem-terra consideraram a informação ¿repetitiva¿ - porque já tinham conhecimento dela, de reuniões anteriores - e anunciaram que ocupariam o prédio. Os que estavam no pátio entraram e estenderam seus colchonetes nos corredores do edifício. Funcionários do Incra acreditam que o trabalho não será interrompido. Assim como em invasões anteriores, os sem-terra ficaram nos corredores e prometem não bloquear o acesso às salas.
¿Ficaremos aqui para pressionar o governo federal a oferecer garantias de que vai acelerar os assentamentos no Estado¿, disse Gilson Rodrigo de Almeida, da coordenação estadual do MST.
CRIMINALIZAÇÃO
Na caminhada, os manifestantes também protestaram contra o que qualificam de ¿criminalização do movimento social¿ no Rio Grande do Sul. Os sem-terra se queixam da ata de uma reunião do Conselho Superior do Ministério Público que pediu o encaminhamento de uma ação de dissolução do movimento à Justiça.
O trecho da resolução que falava em extinção do MST foi retirado pelo próprio conselho em abril deste ano, mas outras orientações da ata resultaram em ações que, aceitas pela Justiça, forçaram os sem-terra a deixar dois acampamentos contíguos à Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul. Além disso, os integrantes do movimento estão proibidos de se aproximar das fazendas Southall, em São Gabriel; Nenê, em Nova Santa Rita; e Palma, em Pedro Osório.