Título: Inflação cai a 4,5% em 2009, diz Meirelles
Autor: Froufe, Célia
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/08/2008, Economia, p. B12

Para presidente do BC, mercado também prevê recuo no próximo ano

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, reafirmou ontem que o objetivo da autoridade monetária é trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%, já em 2009. De acordo com ele, as expectativas do mercado já contam com uma desaceleração da taxa de inflação no próximo ano. Segundo a pesquisa Focus, divulgada segunda-feira, a mediana das projeções dos analistas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano estava em 6,58%; para 2009, em 5%; para 2010 e 2011, em 4,5%; e para 2012, em 4,4%.

Meirelles destacou que os analistas apresentam suas previsões com base na expectativa de atuação de política monetária do BC. ¿Eles levam em conta que o Banco Central não vai só assistir (o movimento da inflação). Eles esperam que, com medidas adequadas, a inflação convirja para a meta¿, disse, durante palestra na sede do Rotary Club de São Paulo, onde recebeu o troféu Ateneu Rotário pelo seu destaque na área econômica.

No mesmo evento, Meirelles disse que o consumo das famílias vem crescendo ¿de forma substantiva¿, e prova disso é que o comércio já acumula expansão de 10,9% das vendas neste ano até maio, com destaque para os automóveis - alta de 21,4%. O presidente do BC voltou a dizer que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) vem ocorrendo com base na atividade doméstica.

Ele lembrou que em 12 meses, até junho, foram criados 1,883 milhão de empregos formais no País. O ritmo da produção industrial também revela, na opinião de Meirelles, que os empresários acreditam que o Brasil está crescendo, apesar das incertezas internacionais. Segundo ele, as expectativas são de expansão nos próximos anos.

Durante a palestra, Meirelles informou que o PIB acumulado em quatro trimestres, até março deste ano, cresceu 5,8%, e os investimentos no mesmo período, 15%. Para ele, o crédito também apresenta fortes taxas de crescimento, e isso só é possível porque a inflação está previsível e baixa. ¿Incerteza não faz as pessoas tomarem dinheiro, e essa (o crédito) é uma das molas propulsoras do crescimento.¿

Segundo o presidente do BC, o País sofreu críticas em relação à distribuição de renda por séculos, mas 20 milhões de pessoas saíram da pobreza e entraram na classe média de 2005 a 2007. ¿Este é um movimento de grande proporção. A estabilização do País também passa pela questão social.¿ Na avaliação de Meirelles, os dados mostram que a obtenção do grau de investimento pelo Brasil, no fim de abril, não se deu apenas por questões superficiais. ¿O momento é de profunda transformação, e para melhor.¿

Meirelles lembrou que a última vez em que compareceu a um evento do Rotary Club foi há dez anos. ¿O Brasil está numa situação substancialmente mais sólida e melhor do que naquela época. Hoje o País já é uma realidade.¿

Ao fim da palestra, ele ressaltou que seu objetivo era dar uma visão de longo prazo do País. ¿Quem quiser as projeções de curto prazo do BC, basta ler a ata do Copom.¿