Título: Lula prega união com a Argentina
Autor: Palacios., Ariel
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/08/2008, Economia, p. B1

Depois do rompimento nas negociações da Rodada Doha, presidente diz que é hora de os países `avançarem juntos¿

¿Por que Deus nos colocou grudados? Um país ao lado do outro? A gente, quando casa, não é para a mulher olhar para um lado e o homem para outro... É para estarem juntos!¿ Com essa metáfora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva arrancou risadas e aplausos ontem de quase 300 empresários brasileiros e outros 700 argentinos, em Buenos Aires. Segundo Lula, que presidiu a abertura do seminário ¿Argentina-Brasil: uma aliança produtiva crucial¿ ao lado da presidente Cristina Kirchner, anfitriã do encontro, durante muitos anos Brasil e Argentina ¿ficaram olhando, individualmente, para a Europa e os Estados Unidos¿. ¿Mas, agora é hora de avançar em conjunto.¿ O encontro de Lula e Cristina ocorreu logo após Brasil e Argentina terem adotado posições contrárias em relação a um acordo multilateral na Rodada Doha.

¿Vocês vão rir. Sempre digo `nunca antes¿, mas é mesmo... Nunca antes na história houve uma delegação de empresários tão grande como esta.¿ Lula insistiu na necessidade de que governos e empresários dos dois países ¿conversem mais¿, além de reduzir a burocracia entre Brasil e Argentina, para permitir ¿maior fluidez¿. ¿Não podemos permitir que os interesses individuais de um setor brequem acordos estratégicos¿, insistiu.

O presidente, que realizou sua 12ª viagem em seis anos à Argentina (é o país que Lula mais visitou desde que foi eleito), declarou seu enfático apoio a Cristina, que nos últimos meses amarga uma drástica queda da popularidade e incertezas econômicas: ¿O Brasil continua apostando na Argentina, em seus trabalhadores, em seus empresários e em seu governo¿.

`BEM-VINDAS¿

Em seu discurso, Cristina declarou sua admiração pela pujança industrial do Brasil e disse que as empresas brasileiras (que desde 2001 investiram US$ 8 bilhões no país) são ¿muito bem-vindas¿. ¿O Brasil teve nas últimas décadas uma política de Estado, de apoiar a indústria. Sua classe política tinha convicções para gerar um modelo de desenvolvimento produtivo que fizesse da competitividade o eixo de seu desenvolvimento.¿

Segundo a presidente, ¿a Argentina não teve essa sorte¿. ¿No Brasil entenderam a importância de um modelo de continuidade, de acumulação produtiva. No entanto, na Argentina, onde houve muitas experiências políticas, certos grupos da classe dirigente acharam que nosso país deveria limitar-se a ser um país de serviços.

Cristina, porém, fez uma crítica velada ao desequilíbrio comercial com o Brasil. ¿Temos um desequilíbrio grande na balança comercial com o Brasil, a favor do vizinho. E, quanto mais se aprofunda o intercâmbio, parece que aumenta essa brecha. ¿