Título: STF aluga blindados para viagens a cidades perigosas
Autor: Recondo, Felipe
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/08/2008, Nacional, p. A8

Decisão foi tomada após tentativa de assalto a ministros

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu alugar carros blindados para transportar seu presidente, Gilmar Mendes, e outros ministros durante viagens a cidades consideradas perigosas. A providência foi tomada depois que Mendes e a ministra Ellen Gracie foram assaltados durante um arrastão que ocorreu na Avenida Perimetral, na zona portuária do Rio de Janeiro, em 2006. Na ocasião, os ladrões levaram o carro oficial que transportava os ministros e no qual estavam documentos e malas de Mendes e Ellen Gracie.

Agora, quando vai ao Rio e a outras grandes cidades, como São Paulo, o presidente do Supremo anda apenas de carro blindado. No sistema do STF, há registros de locações de automóveis blindados de luxo por valores que variam de R$ 775 a R$ 1.550. Até em Brasília, que é uma cidade mais tranqüila, a segurança foi reforçada. Sempre que está em trânsito na capital federal, o presidente do STF anda no carro oficial - um Omega australiano - acompanhado de motorista e segurança - que, com freqüência, é feita por mulheres. Mendes manteve a equipe que trabalhou para sua antecessora na presidência do Supremo, Ellen Gracie, na qual há duas policiais. O carro do presidente do STF é sempre escoltado por outro Omega. Essa providência também foi adotada após o assalto no Rio. Recentemente, Mendes também foi vítima de uma tentativa de assalto enquanto caminhava na orla de Fortaleza.

AMEAÇA EM PÓ

Na quinta-feira, chegou ao STF uma carta com ameaças ao ministro, na qual havia um pó com forte cheiro de inseticida. A carta foi aberta por funcionários da presidência do tribunal. Como o pó supostamente foi sugado pelo sistema de ar condicionado, o andar da presidência foi isolado e a Polícia Federal chamada para fazer perícia.

Ontem o Supremo informou que a análise constatou que a substância química existente no pó ¿tinha baixa toxicidade e não oferecia riscos¿. Mesmo assim, a PF recomendou uma limpeza no local, o que foi feito ontem. Segundo a assessoria de imprensa do STF, o tribunal vai fazer reuniões para definir se serão necessárias medidas adicionais para garantir a segurança da correspondência. Atualmente, as cartas passam por varredura para detectar eventuais metais.

Quarenta e cinco minutos antes da abertura da carta, um funcionário do Supremo atendeu a uma ligação telefônica anônima segundo a qual havia uma bomba no tribunal. Uma varredura nada encontrou.

Funcionários da segurança comentaram que ameaças eram esperadas ontem, pois na véspera a corte tomou uma decisão polêmica: permitiu que políticos processados concorram na eleição deste ano. Mas há 15 dias o tribunal já tinha recebido uma ameaça, também falsa, de bomba.

Além do cuidado com os carros e com a segurança de Mendes e demais ministros, o STF renovou recentemente seu estoque de armas. Comprou pistolas, coldres e balas. O arsenal existente até então era de 1988 e considerado muito antigo.