Título: Evo decreta medidas de exceção
Autor: Costas, Ruth
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/08/2008, Internacional, p. A25

Por causa do referendo de amanhã, líder proíbe viagens, reuniões partidárias e espetáculos culturais por 60 horas

Após a recusa de quatro governadores opositores em garantir a tranqüilidade da votação do referendo revogatório de amanhã, o governo boliviano resolveu declarar medidas de exceção no país. Durante 60 horas, a partir de hoje, estão proibidas manifestações, reuniões partidárias e até espetáculos culturais que causem aglomeração de pessoas.

Todos os cidadãos estão proibidos de viajar e os vôos locais serão suspensos. Também não poderão circular carros sem autorização no dia da consulta em que os bolivianos decidirão se o presidente do país, Evo Morales, o vice-presidente, Álvaro Garcia Linera, e oito dos nove governadores - seis deles opositores - permanecem ou não em seus cargos.

¿Os grupos que não acatarem a decisão serão submetidos a sanções e, quando necessário, a polícia será acionada¿, disse ao Estado o diretor de Comunicações do governo boliviano, Gastón Nuñez.

Medidas como essa são relativamente comuns durante processos eleitorais na Bolívia. Pela lei, porém, elas devem ser decretadas pelos governos regionais e costumam ficar em vigência por menos tempo. O aumento das tensões e a recusa dos governadores de departamentos (Estados) opositores, contudo, levou o governo a adotá-las por conta própria.

Com a aproximação do referendo, os ataques entre Evo e os líderes da oposição estão mais freqüentes. Grupos críticos ao governo prometem bloquear estradas e queimar urnas para adiar a votação. Os aliados de Evo se dizem prontos para defender o referendo.

Em entrevista, José Luis Exeni, presidente do Conselho Nacional Eleitoral disse que a votação é legal e explicou ¿especificidades¿ do processo para desqualificar, de antemão, possíveis denúncias de fraude.

¿Há muita gente no país cuja cédula de identidade tem o mesmo número¿, disse. ¿Também há o problema dos homônimos. Existem 379 Juanas Mammanis e todas votarão, o que não quer dizer que uma pessoa votou 379 vezes.¿