Título: Lula adia discussão sobre Itaipu
Autor: Paraguassú, Lisandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/08/2008, Internacional, p. A26
Negociação só deve ocorrer quando Lugo vier ao Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu adiar, mais uma vez, o início das discussões com o Paraguai sobre o contrato da usina hidrelétrica de Itaipu. Apesar da pressa do novo governo paraguaio, as negociações só devem começar quando o presidente recém-empossado, Fernando Lugo, visitar o Brasil.
O convite foi feito ontem, durante a cerimônia de posse, e deve ser aceito em breve. No entanto, ao ser questionado sobre a possibilidade real de o governo brasileiro negociar, Lula foi seco. ¿Vamos ver qual é a demanda deles. Mas qualquer aumento de tarifa que incidir em um aumento de energia para o povo brasileiro complica a negociação¿, afirmou Lula em uma rápida entrevista, pouco antes de embarcar em Assunção de volta para o Brasil.
O presidente voltou a dizer que o Brasil tem ¿uma responsabilidade para com os países da América do Sul¿, sobretudo na tarefa de ajudar os mais pobres. ¿O que for possível negociar, nós vamos negociar porque queremos ajudar o Paraguai a melhorar a situação do seu povo¿, garantiu Lula.
No entanto, o presidente se esquivou de dar respostas diretas sobre as demandas repetidamente citadas pelos paraguaios, alegando não saber exatamente quais são. Na verdade, o secretário especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, esteve em Assunção há duas semanas justamente para discutir esses pedidos.
Ponto central da campanha eleitoral deste ano no Paraguai, Itaipu virou uma tábua de salvação para o novo governo paraguaio, que pretende receber mais dinheiro com a hidrelétrica para investir em infra-estrutura e obras sociais.
Os paraguaios acusam o Brasil de ¿exploração¿ ao pagar menos de US$ 3 por megawatt de energia produzida por Itaipu. O preço se refere à energia não usada pelos paraguaios, que é revendida para o Brasil.
O preço pago pelo Brasil, na realidade, é bem maior: US$ 45. No entanto, Brasília desconta desse valor o pagamento da enorme dívida contraída para a construção da usina, que ainda não foi totalmente paga. O Brasil não estaria disposto a pagar mais pela energia e nem liberar os paraguaios para vender o excedente para outros países - outro ponto que Assunção quer renegociar.