Título: Brasil não é uma Arábia Saudita, diz especialista
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/08/2008, Economia, p. B5

Márcio Mello, presidente da ABGP, estima que reservas de petróleo cheguem a 55 bilhões de barris

Nicola Pamplona

O presidente da Associação Brasileira dos Geólogos de Petróleo (ABGP), Márcio Mello, afirmou ontem que não há um ¿mar de petróleo¿ na Bacia de Santos. Segundo ele, existem grandes reservatórios abaixo da camada de sal, mas não estão interligados, como suspeitam alguns técnicos do setor. Mello, no entanto, acredita em grande potencial de reservas no pré-sal, que poderiam elevar as reservas brasileiras a até 55 bilhões de barris.

Ele cobrou do governo agilidade no debate sobre o novo modelo regulatório do setor, a fim de evitar a paralisação de investimentos. ¿O governo tem todo o direito de parar e analisar a questão, mas é fundamental que, qualquer que seja a decisão, que seja rápida, para impedir que esse debate prejudique o desenvolvimento do País¿, afirmou.

A comissão interministerial que analisa o tema tem prazo de 60 dias para apresentar sugestões. Em palestra para executivos do setor, o presidente da ABGP refutou qualquer comparação entre Brasil e Arábia Saudita, maior produtor mundial de petróleo. E citou o maior campo produtor do país árabe, Ghawar, que tem 250 quilômetros de extensão e produz 5 milhões de barris de petróleo por dia. Tupi, o maior projeto da Bacia de Santos, tem 35 quilômetros de extensão e, segundo a Petrobrás, pode chegar a um pico de produção de 1 milhão de barris por dia.

Segundo dados da BP Statistical Review, a Arábia Saudita tem reservas de 264,2 bilhões de barris e produziu, em 2007, uma média de 10,413 milhões de barris por dia. Já as reservas provadas brasileiras são de 12,6 bilhões de barris. E a produção, em 2007, foi de 1,833 milhão de barris por dia.

Na palestra, Mello mostrou um mapa elaborado por sua empresa, HRT Solutions, que indica a existência de diversos reservatórios no pré-sal da bacia de Santos, sendo que os maiores são Tupi, com potencial de até 8 bilhões de barris, e Carioca, ainda sem estimativas.

Um dos primeiros entusiastas da busca por petróleo abaixo da camada de sal, Mello evitou divulgar projeções de reservas no País e ressaltou que ainda há riscos a serem observados no processo de desenvolvimento das jazidas. ¿É fácil dizer que não há riscos no pré-sal. Na verdade, há um monte de riscos¿, afirmou, citando o desconhecimento dos reservatórios como o principal deles.

¿O pré-sal é conhecido há muito tempo, mas os engenheiros resistiam à exploração alegando que os reservatórios não têm qualidade¿, disse. Segundo ele, a Petrobrás tem hoje pouco conhecimento dos reservatórios do pré-sal em Santos e nenhum conhecimento em outras regiões. ¿Ainda são necessários muitos estudos.¿