Título: No ES, crescem mortes no trânsito
Autor: Thomé, Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2008, Metrópole, p. C4

Unidades habitacionais quase triplicaram na Grande Vitória

Clarissa Thomé

Eunice Silva Rosa, de 58 anos, trocou Cariacica por Vila Velha em busca de qualidade de vida. O paulista Felipe Bersou, de 30, mudou-se para o Espírito Santo há cinco anos para trabalhar com exportação de granito. Morou dois anos em flat, até comprar apartamento em Vitória. Após 18 anos em Brasília, Regina Vasconcellos ficou ¿deslumbrada¿ pelo mercado imobiliário de Vila Velha: vive na Praia de Itaparica e se empregou como corretora de imóveis.

A experiência dessas pessoas dá um panorama do que ocorre em parte da região metropolitana de Vitória, num trecho que inclui Vila Velha, Serra e, em menor escala, Cariacica. Em março de 2003, havia 7.964 unidades habitacionais em construção, divididas em 146 empreendimentos. Em maio de 2008, esse número havia saltado para 23.081 unidades em 353 empreendimentos, segundo censo do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sindicon).

¿O mercado esteve parado na década de 90, e nosso déficit habitacional estava em 240 mil unidades. Os compradores são, em sua maioria, moradores das próprias regiões. Eles foram beneficiados pelo desenvolvimento do Estado, que atraiu novas empresas da construção civil, além do crédito farto e o alongamento dos prazos¿, afirma o consultor imobiliário José Luiz Kfuri. Ele calcula que em Serra, Vitória e Vila Velha, as prefeituras tenham aprovado a construção de mais de 40 mil unidades.

Eunice aproveitou o crédito imobiliário para comprar um apartamento de dois quartos próximo à Praia da Costa, onde o m² está em torno de R$ 4,5 mil. Há três anos no local, ela já vê mudanças. Quase em toda calçada, uma placa avisa para o risco de queda de materiais. Telas de proteção encobrem os prédios - 102 estão em obras em Vila Velha, segundo o Sindicon. ¿Onde a gente passa, tem uma obra. Quando menos espera, o prédio já está pronto.¿

O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Rodrigo Gomes de Almeida, reconhece a piora do trânsito. ¿Eu costumava atravessar a cidade em 20 minutos. As pessoas almoçavam em casa. Hoje, não é mais possível.¿

A taxa de mortes por acidente de trânsito por 100 mil habitantes passou de 16,6 em 2000 para 22 em 2007, na região metropolitana. A população saltou de 1,4 milhão para 1,6 milhão.