Título: Dólar tem a maior alta desde 2006
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/08/2008, Economia, p. B1
O recuo no preço das commodities e a turbulência no cenário internacional promoveram o dólar comercial à liderança do ranking de investimentos em agosto, com valorização de 4,55%, cotado em R$ 1,633. Trata-se da maior alta mensal desde maio de 2006, quando a moeda americana havia subido 11,31% ante o real. No ano, entretanto, o dólar mantém desvalorização de 8%.
Apesar do desempenho do mês, analistas ressaltam que ainda não é possível dizer que se trata de uma tendência. A valorização verificada em agosto foi decorrente de fatores originados no mercado internacional, como a piora na expectativa de crescimento do Japão e da União Européia.
Isso contribuiu para o arrefecimento das cotações das principais commodities no mundo, como o petróleo. Ontem, por exemplo, o barril do óleo fechou em queda de US$ 0,13, para US$ 115,46. No mês de agosto, o recuo foi de 7,5% ou US$ 8,62. Mas a cotação do petróleo poderá voltar a subir na semana que vem, dependendo dos efeitos do furacão Gustav.
O analista da Hencorp Commcor Corretora, Marcos Forgione, afirma que tem sido muito difícil traçar tendências para o dólar no atual cenário de incerteza nos Estados Unidos, especialmente agora que a crise do mercado subprime (hipotecas de alto risco) voltou à tona, com a quebra de mais um banco.
"A aversão ao risco tem feito muitos investidores retirar dinheiro daqui para cobrir rombos lá fora com o subprime", destaca Forgione. O dólar só não tem subido mais ante o real por causa das elevadas taxas de juros no mercado interno, que tornam a rentabilidade dos títulos públicos bastante atraente.
Apesar da dificuldade para fazer projeções, o analista da Corretora Souza Barros, Wanderlei Arruda, acredita que o dólar deve continuar em processo de ajuste até o fim do ano. "Mas não vai ser nada abrupto nem muito forte. A expectativa é que o dólar feche o ano em torno de R$ 1,65."
BOVESPA
Enquanto o dólar subiu, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) amargou, pelo terceiro mês consecutivo, o último lugar no ranking dos investimentos. A bolsa paulista fechou agosto com desvalorização de 6,43%, em 55.680 pontos. No ano, a queda é de 12,84%.
Além dos fatores externos, o desempenho negativo também foi influenciado pelas notícias de novo modelo regulatório para o setor de petróleo. A possibilidade de o governo federal criar uma estatal para explorar as reservas do pré-sal fez as ações da Petrobrás despencar nas últimas semanas. Isso impactou diretamente o mercado acionário, já que as ações preferenciais da estatal têm participação de cerca de 15% no Índice da Bovespa (Ibovespa).
As aplicações em renda fixa, como o CDB e fundos DI, tiveram ganho de 0,81% e 0,79%, respectivamente. A caderneta de poupança rendeu 0,66% no mês.