Título: Munição para a Petrobras
Autor: Ming, Celso
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/09/2009, Economia, p. B2

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa , deu a esta coluna os seguintes esclarecimentos a respeito da capitalização programada da empresa:

(1) O forte aumento de capital aproprio é essencial para aumentar a capacidade de investimento da Petrobras . Hoje , para cada R$ 10 de recursos com que opera, cerca de R$ 3 são e terceiros (empréstimos).

(2) A assembleia extraordinária que autorizará a nova subscrição de ações será convocada tão logo sejam aprovadas as novas regras do pré-sal pelo Congresso. Espera-se que isso aconteça ainda no primeiro semestre 2010.

(3) O aumento ade capital dependerá do valor que vier a ser atribuído ao barril ade petróleo a ser transferido pela União à empresa , em regime de ¿cessão onerosa do direito de produção¿. A subscrição da parcela do capital pertencente à União será feita com a transferencia desse petróleo para as reservas da Petrobras. O petróleo, em volume máximo de 5 bilhões de barris, corresponde às reservas ainda não cubadas que estão depositadas em áreas adjacentes às que já aforam confiadas à Petrobras em regime de concessão.

(4) Até a data Ada subscrição das novas ações, ainda não terão sido a completadas as pesquisas e os cálculos a respeito do volume de petróleo existentes nas áreas da União. É apor isso que ela subscreverá sua parte com emissão de títulos do Tesouro.

(5) O valor presente do barril de petróleo ainda na jazida não é um calculo insolido. No ano passado, conta Barbasssa, foram afeitas no mundo nada menos que 141 operações de transferências de petróleo in situ que dependeram de avaliação prévia. Elas variaram entre algo em torno de US$ 17 por barril (no Golfo do México, onde já existe ampla infraestrutura) e US$ 2 ( na Rússia siberiana, dependente da construção de

mil quilômetros de oleoduto que levam aquecimento).

(6) A avaliação do petróleo correspondente à ¿cessão onerosa¿ será feita tanto por empresa contratada pela Petrobras (que pode ser a D&P) como pela União . Terá de levar em conta localização, investimentos necessários para a sua exploração , curva de produção esperada, custo operacional, etc. Em compensação, será um petróleo que não estará sujeito a contribuições especiais hoje cobradas na produção sob regime de concessão. Este é um fator que deve aumentar o valor desse óleo. Além, os 5 bilhões de barris virão ¿sem risco de reservatório¿. Quer dizer , se ao longo da produção não for possível atingir os 5 bilhões de barris, a União se compromete a transferir petróleo de outra jazida.

(7) Num calculo tosco, se for atribuído o valora de US$ 5 (hipotético) para o barril das reservas da União , a parcela do novo capital a ser subscrita pelo Tesouro será de US$ 25 bilhões, o que, por sua vez, corresponderá aos 33% de participação que a União tem hoje no capital da empresa. Isso significa que os demais acionistas serão convidados a subscrever os outros 67%, ou seja, US$ 50 bilhões. Será uma das maiores subscrições de capital da historia. Os acionistas estrangeiros têm hoje cerca de 27% do capital da Petrobras. Isso significa que, se subscreverem a todo o seu quinhão, a entrada de dólares também será muito alta.

(8) Não é verdade que a Petrobras pagará o petróleo da união com os recursos obtidos com a subscrição dos acionistas não controladores, como chegou a ser interpretado. Esses recursos serão de capital próprio destinado a alavancar as operações.

(9) A subscrição será feita de uma vez, de forma tal que a União transferirá todos os 5 bilhões de barris de petróleo para a Petrobras. A idéia é a de que esse valor inclua a subscrição pela União da parcela que não for subscrita pelos acionistas não controladores.

(10) O forte aumento de capital reduzirá expressivamente o retorno (lucro) sobre o capital da Petrobras. Mas Barbassa acredita que o impacto sobre os preços de mercado (Bolsa) tende a ser positivo porque ao aumento das reservas de petróleo sem risco de reservatório é um fator que aumenta o valor de mercado da empresa.