Título: Ciro muda título para São Paulo e amplia leque de opções do PSB
Autor: Duailibi, Julia ; Lacerda, Angela
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/10/2009, Nacional, p. A4

Deputado prefere disputar a Presidência ao governo do Estado, mas aliados dizem que ele pode ser vice de Dilma

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, o deputado Ciro Gomes (CE) anunciou ontem que vai transferir o seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, o que abre a possibilidade de concorrer ao governo paulista. Apesar da decisão, que acata desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o parlamentar reforçou a disposição, até o momento, de concorrer ao Palácio do Planalto.

A movimentação, que teve como avalista o presidente do PSB, Eduardo Campos (PE), ampliou o poder do partido nas negociações para 2010 e amarrou o PT paulista, que sem candidato natural em São Paulo tem de aguardar o PSB decidir seu futuro. Além de ter nas mãos a possibilidade de concorrer à Presidência e ao governo de São Paulo, a articulação do partido para transformar Ciro num "candidato paulista" reforça seu nome como uma alternativa a vice da candidata de Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, num cenário em que o PT não consiga fechar uma aliança nacional com o PMDB.

O deputado anunciou a decisão após almoço em Recife com Campos, governador de Pernambuco. Ciente de que a transferência do título causa "ruído" nas articulações, ele ligou para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Disse pretender disputar a Presidência, não o Palácio dos Bandeirantes. O empresário se filiou ao PSB anteontem, após ter a sinalização de que poderia sair para o governo estadual.

Ciro, que trocará o domicílio hoje, em São Paulo, voltou a afirmar que "o instinto era de não fazer" a transferência, mas não descartou a corrida ao Bandeirantes. "Vamos deixar todas as portas abertas. Vamos fazer essa homenagem, com muito prazer, a uma das análises que o presidente Lula faz", disse. "Desde que ninguém vá me pedir que tenha intimidade com a rotina de São Paulo", completou. Lula defende Ciro como candidato em São Paulo por ser contra lançar dois nomes governistas na corrida presidencial. Apoiando o projeto de Ciro em São Paulo, e amarrando o PT paulista a essa estratégia, Lula desmobiliza também os planos do PSB de indicar o vice.

Aliados do parlamentar sustentam que a candidatura a vice seria o melhor caminho para o PSB e Ciro estaria disposto a abrir mão da corrida solo por um voo conjunto com a candidata do PT. A pedra no caminho é o PMDB. A mudança do domicílio, no entanto, não só não compromete os planos do partido, como ajuda a receber ainda mais exposição ao criar outro "fato midiático". A direção da legenda pretende alçar Ciro para além dos 20% nas pesquisas de intenção de voto até o começo do ano que vem.

"O PSB está com uma posição política correta. Tem uma perspectiva de poder de curto prazo, com Ciro. E de longo prazo, com Eduardo Campos", afirmou Rodrigo Rollemberg (DF), líder do PSB na Câmara. O partido estima que na eleição ampliará o número de deputados federais de 29 para, no mínimo, 45.

"Nós temos um trio em São Paulo preparado para disputar a eleição", declarou o presidente estadual do PSB, Márcio França, numa referência a Skaf e ao vereador paulistano Gabriel Chalita. Questionado sobre a decisão de Ciro, o presidente estadual do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido se reúne na segunda-feira para discutir a questão no Estado. "O PSB é um parceiro importante para o PT", afirmou.

CRÍTICAS

No anúncio da transferência do domicílio, Ciro voltou a atacar o governador de São Paulo, José Serra, nome mais forte no PSDB para disputar a Presidência. "Nosso adversário José Serra era ministro durante oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, que quebrou o governo três vezes", afirmou.

Ao abordar sua preocupação com "a ameaça que o passado volte", tentou associar Serra a números do governo FHC. Disse nada ter de pessoal contra Serra e tentou minimizar o fato de tê-lo recentemente chamado de feio.