Título: Discurso não substitui ação, pressiona Obama
Autor: Chacra, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/10/2009, Internacional, p. A14
Em discurso a jornalistas na Casa Branca pouco depois do fim das negociações em Genebra, o presidente Barack Obama exortou Teerã a fazer valer, na prática, sua retórica moderada. "O discurso não substitui a ação", afirmou. "Os EUA não continuarão a negociar indefinidamente e estamos preparados para caminhar em direção a sanções mais duras", pressionou Obama, referindo-se a novas resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear de Teerã. Mas o presidente americano assegurou que, caso o Irã coopere e permita o acesso "ilimitado" de inspetores a suas instalações, o caminho estará aberto a "melhores relações" entre iranianos e a comunidade internacional, incluindo os EUA.
DIÁLOGO
Barack Obama Presidente americano "Este foi um começo construtivo, mas agora deve ser seguido por ações construtivas, com passos concretos. A paciência americana não é infinita"
Hillary Clinton Secretária de Estado dos EUA "Foi um dia produtivo, mas ainda precisamos ver frutos e pressionaremos o nosso ponto para ver o que Irã decide fazer"
Saeed Jalili Negociador iraniano "Nós demos início a uma boa conversação nas negociações de hoje. Temos pontos de vista semelhantes que trataremos num diálogo contínuo"
Jacques Audibert Representante francês "Não dispomos de muito tempo. Deve haver provas de uma evolução profunda no manejo do programa nuclear iraniano"
PROPOSTAS NA MESA
Sanções - EUA, Grã-Bretanha e França defendem expandir as sanções do Conselho de Segurança da ONU para o setor energético. Segundo a principal proposta, seria imposto um cerco total à exportação iraniana de petróleo e gás, e à importação de gasolina. Críticos dizem que essas medidas só atingiriam a população civil, sem afetar a elite do regime
Opções de curto-prazo - Potências ocidentais consideram limitar investimento estrangeiro na indústria de óleo e gás do Irã. Bancos e firmas sob controle da Guarda Revolucionária seriam postas em uma lista-negra internacional
Reforço das sanções - Medidas contra o Irã já adotadas devem ser aplicadas de maneira mais rigorosa, dizem os EUA. Essas sanções envolvem bloqueios de contas do Irã no exterior e o veto de viagens oficiais de iranianos que trabalham no programa nuclear
Obstáculos - Apesar do recuo, China e Rússia são contra novas sanções. As duas potências, porém, disseram que seguirão recomendações da AIEA