Título: Mercado seguirá aquecido, diz Belini, presidente da Fiat
Autor: Rehder, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/10/2009, Economia, p. B5
Para empresário, conjuntura econômica favorável deverá compensar o fim da isenção do IPI
O mercado de automóveis no Brasil vai se manter aquecido, apesar da redução do incentivo dado às montadoras na cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que começou a ser retirado ontem. É o que prevê o presidente da Fiat do Brasil e Mercosul, Cledorvino Belini. A expectativa do executivo é que a conjuntura econômica favorável amenize o efeito do fim do benefício fiscal sobre o mercado automobilístico.
"Esperamos que haja compensação pela redução de juros e das taxas de desemprego. O mercado deve se manter estável, mas é claro que não atingiremos novos recordes, como o observado em setembro", afirmou Belini, em entrevista após o lançamento do Fiat 500, novo carro que está sendo vendido pela empresa no mercado nacional.
Ontem, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou que, com a redução do IPI, em vigor desde janeiro, as vendas de veículos no mercado brasileiro somaram 308.713 unidades em setembro, um recorde para o mês, que representa um avanço de 19,6% em relação a agosto.
De acordo com o executivo, o incentivo fiscal via IPI, durante os nove meses de vigência, resultou em um aumento nas vendas do setor equivalente a 300 mil unidades. Desde ontem, a isenção começa a ser retirada de forma gradual, retornando em dezembro ao nível que era cobrado antes da desoneração, variando de acordo com o modelo.
Segundo Belini, o cenário para 2010 para o setor automotivo ainda é incerto, mas a expectativa é que o desempenho seja similar a 2009. Até o momento, de acordo com o executivo, o mercado brasileiro de automóveis apresenta um crescimento nas vendas de 4%, na comparação com igual período do ano passado.
Ainda segundo ele, estudos realizados pelo setor apontam que a perda de arrecadação do governo por causa da redução do IPI acabou sendo mais do que compensada com o aumento do total arrecadado com outros tributos como PIS/Cofins e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "Foi uma experiência, e agora é positivo que o governo possa rever os impostos. O Brasil precisa fazer esforços para crescer e ganhar escala para elevar a competitividade das exportações", afirmou.
De acordo com o executivo, o País produz hoje cerca de 3 milhões de automóveis ao ano e, para ganhar escala, deveria aumentar essa produção para 5 milhões de unidades anuais. "Com o real valorizado e os impostos (de exportação), a balança comercial do setor terá saldo zero ou até negativo em 2009. É preciso aumentar a competitividade, e isso vai ocorrer com ganho de escala."
De acordo com ele, o setor tem capacidade instalada para a produção de 4 milhões anuais de automóveis. Mas, com a expansão do mercado, o aumento de capacidade poderá ocorrer rapidamente. Para Belini, a crise econômica não alterou o atual plano de investimentos da Fiat, de R$ 5 bilhões no País entre 2008 e 2010, em projetos de expansão nas unidades de Betim, Sete Lagoas e Contagem, todas localizadas em Minas Gerais.
"Os planos de investimento, seja de instalação de capacidade produtiva ou de equipamentos, são de longo prazo e estão sendo mantidos", disse o executivo. Segundo Belini, as perspectivas do mercado brasileiro serão reavaliadas a partir de 2011, quando será definido o novo plano.