Título: Crise impede mais exportações
Autor: Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/10/2009, Economia, p. B7
Para secretário, vendas serão inferiores a US$ 160 bi
A forte retração da economia mundial vai impedir que as exportações atinjam o valor projetado pelo governo e fará com que o Brasil exporte este ano menos do que em 2007. Ontem o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, afirmou que "seguramente as exportações serão inferiores a US$ 160 bilhões". Este era o valor projetado pelo ministério no início do ano para as vendas externas em 2009.
Barral disse que o ministério não fez um novo cálculo, mas as vendas externas devem ficar em torno de US$ 158 bilhões, valor do acumulado dos últimos 12 meses até setembro. "Levaremos dois ou três anos para chegar ao nível de comércio de 2008", previu.
No ano passado, as vendas externas totalizaram o recorde de US$ 197,8 bilhões, mas abaixo dos US$ 200 bilhões projetados pelo ministério, por causa da crise internacional que reduziu o comércio já nos últimos meses. Em 2007, as exportações somaram US$ 160,7 bilhões.
"Os outros países não estão se recuperando como o Brasil. O problema é lá fora, com os nossos compradores", disse o secretário. "A forma de reagir a isso é melhorar a competitividade do setor exportador", completou. Ele defendeu a redução dos custos de transação financeira, logística e impostos acumulados na cadeia produtiva. Barral criticou, por exemplo, a atitude dos Estados que não devolvem às empresas o crédito gerado pela desoneração de ICMS das exportações.
"Tanto governo quanto empresas precisam fazer um esforço para reduzir os custos", disse. "Muita gente não se convenceu da importância do comércio exterior." Segundo o secretário, o governo tem adotado sistematicamente medidas para ajudar o setor, mas muitas delas acabam tendo os efeitos anulados por causa da valorização do real em relação ao dólar.
Ele anunciou que, neste mês, o governo implantará uma simplificação do sistema de drawback, pelo qual as empresas deixam de pagar os tributos cobrados sobre os insumos nacionais ou importados a serem utilizados na produção de bens exportáveis.
Segundo Barral, esta é uma das medidas para reduzir "a pressão" sobre o exportador. A mudança será operacional, com uma melhoria no software do programa, de forma a permitir que as médias empresas também consigam utilizar o benefício.