Título: Meirelles alerta para risco de recaída na crise
Autor: Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/10/2009, Economia, p. B6
Para o presidente do BC, o Brasil precisa consolidar a rota de crescimento sustentável
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, alertou ontem para a necessidade de o País consolidar o crescimento sustentável para que o processo de saída da crise se mantenha em condições favoráveis. "O Brasil tem que manter a rota e o gerenciamento de saída da crise tem que ser bem feito para evitar recaídas", disse, ao chegar a Goiânia, onde formalizou sua filiação ao PMDB de Goiás.
Mais tarde, Meirelles abordou a questão dos gastos públicos para explicitar como o BC avalia o assunto. Questões como o comportamento dos juros e dos impulsos fiscais são tratados pelos modelos do BC para determinar o equilíbrio macroeconômico.
Meirelles explicou que o monitoramento dos gastos públicos tem o objetivo de avaliar as consequências para a economia. Por isso, insistiu, não é função do BC discutir o tamanho ideal do Estado. "O Banco Central leva em conta o resultado fiscal e imputa esse dado, assim como outros, no modelo do BC."
A função do BC, segundo ele, é a de manter o equilíbrio macroeconômico do País e, para isso, leva em conta uma série de componentes que são analisados pela diretoria. "Depois de todos os fatores analisados, inclusive o fiscal, isso é levado para o Copom (Comitê de Política Monetária) para a tomada de decisão", disse.
No Copom, que se reúne a cada 45 dias, a diretoria colegiada do BC define o rumo da política monetária. "Tudo isso está bem explicado no Relatório Trimestral de Inflação", concluiu, referindo-se ao documento divulgado na sexta-feira pelo BC.
O relatório informa que os impactos fiscais determinados pelas medidas adotadas pelo governo para enfrentar a crise financeira provocaram uma alta na projeção da inflação, que, ainda assim, está abaixo do centro da meta. A nova projeção é de inflação de 4,4% em 2010, ante previsão anterior de 3,9%.
"O BC não faz discussão de ordem social ou conceitual sobre determinados assuntos que não aqueles que pertencem à esfera do BC", disse ele, com a preocupação de evitar criticar a política fiscal do governo.
POUPANÇA
Meirelles disse ainda que a decisão sobre a cobrança de Imposto de Renda da poupança deve ser tratada pelo Legislativo. "A decisão é do Congresso, não cabe ao Banco Central", afirmou. "O importante é que a economia está-se estabilizando e os juros reais estão menores. Mudanças precisam ser feitas visando às novas características do País."