Título: Autoproteção é a melhor opção
Autor: Kuntz, Rolf
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/10/2009, Economia, p. B3
Henrique Meirelles, presidente do BC, defende acúmulo de reservas O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu ontem a acumulação de reservas nos países emergentes, estratégia criticada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). "Ficou demonstrado que a autoproteção é a melhor opção", disse Meirelles ontem, em palestra na reunião. "Eu apoio a discussão de que seria mais eficiente se o FMI acumulasse as reservas para os países. Mas a questão é: quem é que vai tomar a decisão na hora em que um país precisar das reservas?"
O FMI aconselha os países emergentes a evitar acumulação excessiva de reservas, uma das causas para os desequilíbrios econômicos globais. Em vez disso, países como o Brasil deveriam usar linhas flexíveis do Fundo como "seguro" contra fugas de capital em crises internacionais. O Fundo funcionaria como um "acumulador de reservas" de última instância.
Meirelles afirmou que o alto nível de reservas - US$ 205 bilhões no início da crise - ajudou o Brasil a se recuperar mais rápido da recessão global. "As reservas internacionais do Brasil puderam compensar os bancos que restringiram as linhas de crédito para o país" durante a crise, disse o presidente do BC. "Nós conseguimos substituir o setor privado porque tínhamos reservas suficientes e isso levou a uma recuperação rápida do mercado de crédito."
Ele lembrou que o País já voltou a acumular reservas - que estavam em US$ 205 bilhões no início da crise e agora já estão em US$ 225 bilhões e "subindo todo dia", segundo Meirelles.
O presidente do BC afirmou também que o sistema bancário no Brasil estava muito capitalizado e segue regras conservadoras, o que ajudou na recuperação. A capitalização dos bancos está em 17%, bem acima dos 8% recomendados pelo acordo de Basileia II, disse ele.
Perguntado sobre o que vai acontecer com o Brasil quando os EUA equilibrarem suas contas externas e reduzirem significativamente suas importações, Meirelles disse que o País está preparado. "Antes de a crise começar, nossa economia já estava sendo puxada pelo consumo doméstico", afirmou o presidente do Banco Central.