Título: Convite de Micheletti divide deputados brasileiros
Autor: Anna, Lourival Sant
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/10/2009, Internacional, p. A19
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP), um dos seis parlamentares brasileiros que foram a Honduras para se informar sobre a crise agravada com o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, informou ao "Estado", por telefone, que ele e a deputada Janete Pietá (PT-SP) se recusaram a participar de um jantar oferecido quinta-feira pelo presidente de facto, Roberto Micheletti.
Valente disse que o convite de Micheletti chegou ao grupo ontem à noite, após visita à embaixada, por intermédio de Raul Jungmann (PPS-PE).
Na avaliação de Valente, participar do jantar seria "um equívoco", já que o Brasil não reconhece o governo de facto de Honduras. "Isso não estava combinado no plano de viagem, já havíamos recebido a garantia de não violação da embaixada brasileira por parte da Suprema Corte e do Parlamento hondurenho. Achamos que se encontrar com Micheletti poderia ser entendido como uma legitimação do governo", disse o deputado do PSOL.
Em Tegucigalpa, testemunhas afirmaram que o convite de Micheletti deu origem a um princípio de bate-boca entre os deputados.
Participaram do jantar com o presidente de facto, segundo Valente, os deputados Jungmann, Claudio Cajado (DEM-BA), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Maurício Rands (PT-PE).
Pouco antes, Ivan Valente havia informado que os deputados estavam se preparando para embarcar para Boa Vista (RR), de onde retornariam a Brasília.
Valente informou que o grupo passou cerca de três horas na embaixada brasileira na capital de Honduras, onde conversaram com Zelaya. De acordo com o deputado, 63 pessoas permanecem dentro do prédio - 11 delas são jornalistas.