Título: Pesquisa Focus reforça que juro sobe em 2010
Autor: Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/10/2009, Economia, p. B3

A expectativa para o patamar da Selic no fim do próximo ano subiu de 9,50% para 9,75%

O mercado reforçou a previsão de que o juro deve voltar a subir em 2010. Pesquisa divulgada ontem pelo Banco Central mostra que a expectativa para o patamar da Selic no fim do próximo ano subiu de 9,50% para 9,75%. Portanto, prevalece a aposta de que a taxa será elevada em um ponto porcentual no ano. A expectativa mais pessimista com a política monetária acontece em meio às acusações do Ministério da Fazenda de que alguns analistas estariam fazendo "terrorismo" sobre o efeito dos gastos do governo na inflação para força uma alta dos juros.

O levantamento Focus, feito semanalmente pelo BC, mostra que analistas acreditam que o aperto monetário deve começar em setembro de 2010, um mês antes das eleições presidenciais, quando a Selic deve subir dos atuais 8,75% para 9%. A taxa subiria novamente nas reuniões seguintes até novembro, quando chegaria aos 9,75%. Além de subir um ponto no próximo ano, o mercado também aposta que o ciclo de aperto monetário deve ser retomado em 2011, quando a Selic deve subir mais meio ponto durante o ano, chegando a 10,25%.

Para o mercado, os juros devem subir porque a demanda vai continuar aquecida, o que aumenta a pressão sobre os preços. Essa expectativa já é vista há várias semanas e foi construída com a divulgação de dados que mostram que a atividade econômica está mais dinâmica que o esperado. O cenário foi consolidado pelo último Relatório de Inflação, do Banco Central, mostrou grande preocupação com o efeito dos gastos públicos sobre os preços.

"A discussão sobre o juro veio pela surpresa da grande parte do mercado com a atividade e a evolução do mercado de trabalho, além dos estímulos fiscais do governo" , diz o economista-chefe do Banco Schain, Silvio Campos Neto.

Ele rejeita a avaliação de que há "terrorismo" com a questão fiscal porque a previsão de aumento do juro é baseada em aspectos técnicos, como os indicadores já divulgados. Campos Neto observa, porém, que é prematura a previsão de que a Selic poderia começar a subir já no início de 2010.

A acusação de "terrorismo" foi feita na última sexta-feira pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Em entrevista, ele afirmou que há "terrorismo fiscal" praticado por "alguns analistas" e pela "oposição", numa crítica que tinha também como endereço o Banco Central. Para Barbosa, a política fiscal não gera riscos de inflação.