Título: G-30 quer revisão de cotas do FMI a cada 4 anos
Autor: Mello, Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/10/2009, Economia, p. B9
Grupo, que inclui economistas e presidentes de BCs, pede reforma acelerada do Fundo
O G-30, grupo que reúne economistas influentes, presidentes de banco central e banqueiros, afirmou ontem que a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) deve ser "acelerada" e as cotas deveriam ser revistas a cada quatro anos.
Segundo as últimas deliberações do FMI e do G-20, pelo menos 5% das cotas do Fundo serão transferidas de países ricos para emergentes até janeiro de 2011. Mas o G-30 defende uma mudança mais rápida e uma revisão periódica das cotas, para que a governança do FMI não fique desatualizada. Hoje em dia, muitos emergentes estão sub-representados no Fundo de acordo com seu peso na economia mundial, e muitas nações ricas, principalmente europeias, estão super-representadas.
"No futuro, os ajustes de cotas deveriam ser automáticos e periódicos", diz o relatório, escrito por Armínio Fraga, ex-presidente do BC, Stanley Fischer, presidente do banco central de Israel, Jacob Frenkel, ex-presidente do BC de Israel, Guillermo Ortiz, presidente do banco central do México, e Peter Kenen, professor de Princeton.
O G-30 recomenda que a revisão na distribuição das cotas ocorra a cada quatro anos, com mudança na fórmula a cada oito anos. Além disso, nenhum país deveria ter poder de veto no Fundo, como os Estados Unidos têm hoje. O G-20 também prega a redução do tamanho da diretoria executiva do FMI, de 24 para 20 integrantes, com eliminação de alguns representantes europeus. E a escolha do diretor-gerente do Fundo não mais se limitaria a um europeu.
"Os tradicionais poderes europeus no Fundo precisam finalmente tomar decisões políticas que permitam a concretização das mudança das cotas e votos do FMI", disse Frenkel. "Caso implementadas, nossas propostas vão aumentar a legitimidade do Fundo, aumentar a autoridade e eficiência."