Título: Empresas já perdem competitividade
Autor: Landim, Raquel
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/10/2009, Economia, p. B1
Câmbio desfavorável para exportação abre espaço para os concorrentes As empresas brasileiras relatam que estão perdendo negócios no exterior para concorrentes de outros países, por conta da falta de competitividade provocada pelo câmbio valorizado.
A fabricante de válvulas industriais RTS, sediada em Guarulhos (SP), foi preterida em contratos no Chile e no Peru, porque os clientes preferiram comprar da China. Segundo o presidente da empresa, Pedro Lúcio, as máquinas brasileiras chegam aos vizinhos 50% mais caras do que as chinesas.
O executivo afirma que o mercado brasileiro de bens de capital começou a dar sinais de retomada, mas os pedidos do exterior estão fracos. A participação da exportação na produção da empresa caiu de 30% no ano passado para 10% este ano.
Além da perda de competitividade, a valorização do real provoca uma série de transtornos no dia a dia dos exportadores, como a dificuldade para definir os preços nas vendas a prazo no exterior.
Na fabricante de calçados A. Grings, dona da marca Piccadilly, os negócios no mercado externo estão travados. Segundo a diretora de exportação, Micheline Grings Twigger, a empresa ainda não conseguiu decidir que dólar vai usar para vender a próxima coleção. O ideal seria comercializar os calçados agora para entregar no início de 2010.
Na coleção anterior, a empresa utilizou dólar de R$ 2,20, uma diferença de 23% para os R$ 1,737 da sexta-feira. "Os clientes não vão aceitar esse reajuste. Não vou ter gás para recuperar os mercados perdidos", disse Micheline.
O fortalecimento do real foi uma frustração para os fabricantes de calçados. Como a demanda desses produtos foi pouco afetada pela crise, as empresas esperavam recuperar espaço com a ajuda do câmbio.
"Os calçados brasileiros ficaram muito caros", disse o diretor do grupo DAS, Francisco Machado. Com 11 fábricas no País, a companhia produz tênis e roupas esportivas das marcas Fila, Umbro e Tryon.
A empresa exporta para todos os países da América Latina. Mas, atualmente, 50% da demanda é atendida pelas fábricas do Brasil e outros 50% por parceiros que produzem para a companhia na China.
Com o mercado interno aquecido e pouca rentabilidade nas vendas externas, a exportação perde espaço na produção das empresas.
Na Borgwarner, fabricante de autopeças para caminhões e ônibus, a exportação representava 30% da produção em 2008. Neste ano, é 20%. "Tivemos uma queda drástica nas exportações", disse o diretor-geral da empresa, Arnaldo Iezzi Jr. Ele acredita que a tendência é perder mais negócios no exterior nos próximos meses, por conta da falta de competitividade provocada pelo câmbio. "Quando o mercado melhorar lá fora, vai ser difícil para nós."