Título: No Senado, diretor classifica como 'pífio' orçamento destinado à ABIN
Autor: COSTA, ROSA
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/10/2009, Nacional, p. A10

O agente Wilson Roberto Trezza foi aprovado, em votação secreta, por 14 dos 19 integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado, para o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde está há 13 meses como diretor interino. Na semana que vem, seu nome será apreciado pelo plenário.

Na sabatina, Trezza classificou de "pífio" o orçamento da Abin. Segundo ele, foram destinados R$ 350 milhões em 2009 à agência, dos quais apenas R$ 40 milhões foram utilizados para o financiamento das atividades de inteligência. Trezza afirmou que 85% do orçamento total da agência é destinado para o pagamento de pessoal.

"O negócio da Abin é a inteligência estratégica de Estado para o assessoramento do presidente da República", declarou Trezza.

O diretor também falou sobre as recentes invasões do Movimento dos Sem-Terra (MST). Ele comentou que uma das atribuições da agência é manter o presidente informado sobre ações do movimento e de entidades semelhantes. Mas reconheceu que "na maior parte das vezes" não há como prever e evitar operações deflagradas por movimentos sociais.

Por iniciativa do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), a comissão pediu ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, o "inteiro teor" dos relatórios de inteligência da Abin no monitoramento do MST no caso da destruição dos laranjais da fazenda da Cutrale, em São Paulo.

Trezza acredita que a invasão não tenha sido premeditada, mas decidida quando o MST já estava dentro da fazenda: "E deve ter fugido do controle da direção do movimento."