Título: Vale vai investir R$ 9,5 bi em Minas
Autor: Massote, Raquel
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/10/2009, Economia, p. B18
Sob pressão, presidente da empresa anuncia projetos de expansão
BELO HORIZONTE
Sob forte pressão do governo federal desde que anunciou demissões e um corte no plano de investimentos por causa da crise global, o presidente da Vale, Roger Agnelli, anunciou ontem - em solenidade ao lado do governador mineiro Aécio Neves (PSDB) - um plano de investimentos de R$ 9,5 bilhões em Minas Gerais. O projeto, que vai até 2015, prevê a implantação de uma nova mina e de duas usinas de beneficiamento de minério de ferro no Estado.
Agnelli não conversou com a imprensa, mas fez um pronunciamento em que se defendeu das críticas que vêm sendo feitas pelo governo. "Fizemos ajustes doloridos e relativamente fortes nas nossas operações", disse. Mas, segundo ele, isso foi necessário porque, na ocasião, o grupo "não tinha nenhum horizonte". No entanto, nos últimos meses, conforme o executivo, a sinalização é de que a situação econômica mundial mudou e a China vem mantendo o ritmo forte que deve se sustentar nos próximos anos. "Isso nos dá um conforto muito grande para fazer investimentos mais ousados e mais audaciosos."
Segundo Agnelli, o mais importante no momento é que a Vale acelere a aplicação de recursos na reestruturação de alguns ativos, principalmente em minas que já estão com custo elevado. A intenção, segundo o executivo, é começar a abrir novas minas para substituir essas que apresentam custo elevado. Em seu discurso, o executivo disse ainda que nos "próximos três ou quatro anos as oportunidades serão enormes".
O governador Aécio Neves disse, na solenidade, que a Vale deveria investir no desenvolvimento de projetos que agreguem valor à matéria-prima extraída no Estado. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Sérgio Barroso, a ideia é que a Vale instale uma usina siderúrgica em Minas Gerais.
O investimento em siderúrgicas no País é uma das principais cobranças que vêm sendo feitas à empresa pelo presidente Lula. Apesar de ser uma empresa privada, o governo ainda mantém uma forte influência em seu controle - o BNDES detém 6,9% do capital ordinário da mineradora. Além disso, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, é o maior acionista isolado da mineradora, detentor de 58% da Valepar, empresa criada exclusivamente para representar o bloco de controle da Vale.
Segundo informações divulgadas pelo governo mineiro, os investimentos anunciados ontem pela Vale - e que ainda precisam do aval do Conselho de Administração - serão implantados em sete municípios mineiros. Entre os projetos está o da mina de Apolo, entre os municípios de Santa Bárbara e Caeté, que consiste na abertura de uma lavra e a implantação de uma usina de beneficiamento para a produção de minério de ferro - um projeto de R$ 4,4 bihões.