Título: Líderes mundiais festejam escolha
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Fonte: O Estado de São Paulo, 10/10/2009, Internacional, p. A16

Anúncio foi comemorado, mas também despertou incredulidade; 'Tão cedo?', questionam

Euforia e prudência marcaram a reação de líderes mundiais à escolha do presidente americano, Barack Obama, para o Prêmio Nobel da Paz deste ano. Em Paris, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a decisão marca "o retorno da América ao coração das pessoas do mundo". O líder francês creditou a vitória de Obama a "sua visão em favor da tolerância e do diálogo entre os Estados, a cultura e a civilização".

Em contraste com a euforia francesa, o premiê britânico, Gordon Brown, preferiu enviar uma correspondência privada à Casa Branca e não fazer comentários públicos. A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou "uma incitação" a continuar trabalhando pela paz, enquanto o premiê italiano, Silvio Berlusconi, qualificou a decisão de "um justo reconhecimento" em favor "da cooperação entre os povos".

Uma das reações mais contidas e críticas veio do ex-presidente polonês Lech Walesa, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1983. Ele questionou se este era o momento de Obama ser premiado: "Tão cedo?" Em seguida, ele mesmo respondeu: "Muito cedo."

Walesa disse que Obama "ainda não fez nenhuma contribuição" e "está num estágio inicial". Para o polonês, o prêmio é, provavelmente, para "encorajar Obama a agir". "Vamos ver se ele vai perseverar. Vamos dar a ele tempo para atuar", concluiu. Outro vencedor do Prêmio Nobel da Paz que comentou a escolha de Obama, foi o último presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, vencedor em 1990. Para ele, o presidente americano "contribuiu para uma mudança substancial na atmosfera do mundo" por meio de sua "visão da paz global e das relações entre as nações".

Oscar Arias, presidente costa-riquenho que recebeu o Nobel em 1987 e tenta, desde julho, negociar uma saída para a crise política em Honduras, qualificou a escolha de Obama de "visionária". Arias disse esperar que a oposição americana "compreenda a dimensão das novas responsabilidades de Obama".

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o egípcio Mohamed ElBaradei, elogiou os esforços do americano para conter a proliferação nuclear. "Em menos de um ano na presidência, ele mudou o modo como nos vemos e como vemos o mundo em que vivemos". ElBaradei também disse que o presidente americano "mostrou um compromisso inabalável com a diplomacia, o respeito mútuo e o diálogo como os melhores meios para resolver conflitos".

Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Obama "encarna um novo espírito de diálogo e empenho para enfrentar os maiores problemas do mundo", entre os quais destacam-se "as mudanças climáticas, o desarmamento nuclear e uma série de desafios para a paz e a segurança" do mundo.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abas, disse esperar "que a paz prevaleça na Palestina sob a presidência de Obama". O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, espera que Obama "faça avançar o processo de paz no Oriente Médio".

Os recentes esforços feitos pelo americano para conter a proliferação nuclear também receberam elogios do Vaticano, que disse esperar "que este reconhecimento encoraje o empenho difícil, mas fundamental, com o futuro da humanidade".

As mais duras críticas ao prêmio vieram do Taleban. "Não percebemos nenhuma mudança de estratégia para a paz", disse Zabihullah Mujahid, porta-voz taleban no Afeganistão, país que recebeu reforço de 21 mil soldados americanos desde que Obama assumiu a Casa Branca.