Título: Desocupados se divertem e fazem planos
Autor: Tosta, Wilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/10/2009, Vida&, p. A22
Jovens deixaram escola e emprego
Desde que foi demitida do seu último emprego, a paulista Taís Toniato, de 20 anos, passa as madrugadas na frente do computador e acorda todos os dias às 15 horas. Como não ajudava nas tarefas domésticas, foi expulsa de casa pela mãe. "Ficava sem fazer nada, só comendo e bagunçando." Ela mora com o pai e vive com os R$ 600 do seguro-desemprego. "É uma fase. Estou procurando emprego e no ano que vem quero começar a faculdade", diz ela, que viajou de São Paulo para o Rio por causa do feriado.
Além de Taís, Camilo Jaime da Silva, de 23 anos, também faz parte do total de 1,2 milhão de jovens "desocupados" que têm entre 18 e 24 anos. Às 14 horas de ontem, numa pista de skate na Penha, zona leste de São Paulo, ele se divertia com os amigos. Desempregado há um ano, ele havia chegado à praça às 10 horas. "A gente sai daqui só de madrugada", diz. Ele mora com um amigo e há uma semana faz serviços temporários numa empresa de refrigeração. Fora da escola desde o último ano do ensino fundamental, porque precisava trabalhar, Camilo faz planos: fazer supletivo, arrumar um emprego e entrar na faculdade de Engenharia Elétrica. "Mas não sou muito inteligente, não gosto de estudar", afirma ele, que quer ser empresário. "Acho que é sorte. Tem gente que não tem estudo e é empresário."
Suellen Vieira, de 18 anos, também largou os estudos. Após repetir a mesma série quatro vezes, ela parou de estudar neste semestre. Agora, distribui currículos. "Não ia para a escola porque queria curtir a vida na rua", conta ela, que, enquanto não consegue um trabalho, passa as tardes em lan houses.