Título: Tesouro negocia novo empréstimo ao BNDES
Autor: Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/10/2009, Economia, p. B4

Governo estuda injeção de títulos públicos no banco, mas não descarta nova capitalização

O Tesouro Nacional negocia com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a possibilidade de fazer um novo empréstimo em títulos públicos para turbinar os investimentos no País.

Uma nova capitalização do BNDES em ações, como a realizada em agosto passado, também está no "radar" do governo, segundo antecipou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

O secretário disse que quase todo o empréstimo de R$ 100 bilhões, concedido este ano ao BNDES, já está comprometido com a demanda das empresas. "Podemos fazer novas emissões para o BNDES. Isso está no radar. Assim como a capitalização", afirmou sem querer falar em prazos. "Quanto e quando ainda estamos discutindo", afirmou.

REFORÇO

Segundo Augustin, os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), principal mecanismo de financiamento ("funding") do BNDES, não são mais suficientes para garantir a agenda de investimentos que a economia exige.

O FAT continua sendo importante, afirmou, mas não tem a dimensão necessária para que a economia mantenha o seu dinamismo.

O "mix" de recursos para o banco, disse ele, inclui emissões de títulos, capitalização em ações de outras empresas estatais e empréstimos externos, como um financiamento de US$ 2 bilhões do Banco Mundial (Bird) que aguarda aprovação do Congresso.

"Trata-se da mesma política de reforçar o BNDES e mantê-lo como instrumento forte de incentivo econômico", argumentou o secretário.

Na avaliação de Arno Augustin, o reforço do BNDES permitirá que um conjunto de empreendimentos possa ter acesso a financiamento em taxas compatíveis com o crescimento da economia de médio prazo. Augustin destacou que esse modelo de financiamento do BNDES será mantido enquanto for necessário.

Segundo ele, a criação de outra fonte de recursos permanente para o BNDES, além do FAT, é mais difícil de ser realizada. "O problema é que uma fonte permanente significa ter uma receita. O que estamos entendendo é que o modelo de o Tesouro fazer o financiamento direto ao BNDES não demonstrou efeitos negativos", disse.

Com essa política, previu, a tendência é de que as taxas de juros para os empréstimos destinados a novos investimentos caiam ainda mais.

Com a crise econômica, o BNDES conseguiu alargar ainda mais o seu escopo de atuação e hoje está no centro das principais decisões de política econômica do País, inclusive a de estimular a formação de grandes empresas nacionais.

Além de fortalecer o investimento, o BNDES está se voltando agora para o fortalecimento do mercado de capitais, com o objetivo de estimular o crescimento da poupança interna do País, um dos problemas frequentemente apontados na economia brasileira.