Título: Sucessão na AGU já tem favorito
Autor: Recondo, Felipe ; Nogueira, Rui
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/10/2009, Nacional, p. A10
Procurador-geral da Fazenda deve substituir Toffoli
O procurador-geral da Fazenda Nacional, Luís Inácio Lucena Adams, é o nome mais cotado para assumir o comando da Advocacia-Geral da União (AGU) no lugar de José Antonio Dias Toffoli, que foi aprovado pelo Senado e assume o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima sexta-feira. A escolha de Adams, que deve ser chancelada pelo presidente Lula na próxima semana, é considerada uma "sucessão natural", já que o escolhido é integrante da carreira da advocacia pública.
Além do procurador-geral da Fazenda, disputam a indicação para a AGU outros quatro nomes: o advogado Sérgio Renault, ex-secretário de Reforma do Judiciário (o mais forte competidor de Adams); João Ernesto Aragonés Vianna, professor de direito previdenciário e procurador federal; Fernando Neves, advogado e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Marcelo Rossi Nobre, representante da Câmara no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
De todos os candidatos, Adams é o que conta com o leque mais forte de apoios técnicos e políticos, a começar pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Toffoli, ex-chefe da AGU, foi consultado pelo presidente e não fez objeções à escolha do procurador-geral da Fazenda para substituí-lo - os dois foram parceiros, por exemplo, no trabalho de recuperação de créditos e suspensão de despesas que a União estava ameaçada de pagar em julgamentos no Supremo. Pelo balanço de Toffoli, a AGU rendeu nos seus dois anos à frente do órgão R$ 476 milhões - que foram poupados ou cobrados e pagos judicialmente. Metade desse valor corresponde a créditos tributários em que a atuação da Procuradoria da Fazenda foi decisiva.
Renault tem o apoio do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Ele é o "pai" da Emenda 45, da reforma do Judiciário, aprovada em dezembro de 2004, uma das propostas legislativas mais bem-sucedidas até agora na tarefa de tornar os tribunais mais eficientes. Foi essa reforma que criou o CNJ, órgão de controle externo do Poder Judiciário que está em funcionamento desde junho de 2005.
Aragonés é um nome considerado "excessivamente partidário", por ser próximo das reivindicações e militância petistas. Marcelo Nobre, filho do ex-deputado Freitas Nobre, um dos militantes históricos do MDB, foi um nome sugerido por último ao presidente Lula, mas tem pouco apoio político.