Título: Fico receoso com tanto otimismo
Autor: Leopoldo, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/10/2009, Economia, p. A5
Ministro Guido Mantega diz que prefere ser mais realista, mas mantém previsão de 5% do PIB em 2010
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi homenageado ontem à noite pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em evento com apresentação da Orquestra Bachiana Jovem Sesi-SP. Para uma plateia repleta de empresários, o ministro ressaltou que o Brasil saiu mais forte da crise do que quando entrou e reafirmou que o País já está retomando uma rota consistente de expansão, com inflação sob controle e previsão de crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010.
"Fico até um pouco receoso com tanto otimismo em relação ao Brasil. Tem gente que acredita que o PIB vai subir mais que este patamar. Mas eu prefiro ser um pouco mais realista." Depois da apresentação, que durou cerca de 1 hora e foi encerrada com a execução do Hino Nacional pela orquestra com o maestro João Carlos Martins ao piano, Mantega deveria participar de jantar oferecido aos convidados pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, na sede da entidade, na Avenida Paulista.
Antes do início da apresentação, Skaf elogiou o ministro por ser "desenvolvimentista aliado do setor produtivo, que sempre foi contra os juros altos".
ESTÍMULO FISCAL
Durante a tarde, o ministro da Fazenda disse que foi "bem-sucedida" a política anticíclica adotada pelo governo para tirar o País da recessão, causada pela crise. Segundo Mantega, todos os estímulos e isenções fiscais concedidos a alguns setores produtivos, entre eles as indústrias automobilísticas e fabricantes de produtos da linha branca, devem somar este ano entre R$ 34 bilhões e R$ 35 bilhões. Segundo ele, o número equivale a 1,2% do PIB.
"O emprego destes recursos foi positivo para a economia. Sem a aplicação deles, para estimular o consumo e a produção, o País, nos meus cálculos, registraria queda de 3 pontos porcentuais no PIB." Mantega citou a criação de 494 mil empregos formais nos últimos dois meses e o desempenho das vendas de automóveis, maiores do que no ano passado.