Título: Produtores apostam em telas itinerantes
Autor: Duailibi, Julia
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/10/2009, Nacional, p. A12

História desperta interesse de grupos que levam [br]cinema a regiões sem salas

Os produtores de Lula, o Filho do Brasil apostam no uso de mecanismos alternativos para levar a cinebiografia do presidente para os grotões do País, meses após a estreia, prevista para 1º de janeiro de 2010. Uma das ferramentas em estudo são os cinemas itinerantes. Das três principais organizações que propõem iniciativas na área, no entanto, duas delas recebem recursos da Petrobrás, estatal ligado ao governo federal.

A Mostra BR Candango, organizada pelo Instituto Latino Americano, e o Cinema BR em Movimento, ligado à MPC Associados, recebem R$ 427 mil e R$ 1,1 milhão, respectivamente, para implantar projetos que levem cinema a regiões onde a população não tem acesso a salas.

"Vou correr muito para exibir esse filme. Não por ser o presidente Lula, mas por ser um exemplo de vida", disse Atanagildo Brandolt, presidente do Instituto Latino Americano.

A entidade faz projeções anuais desde 2005, em 26 municípios de Goiás, Minas Gerais e dos arredores de Brasília, usando um caminhão, uma tela inflável e 600 cadeiras. Questionado se não achava um problema divulgar o filme de Lula, com dinheiro de uma empresa ligada ao governo, Brandolt disse: "Absolutamente. Podia ser o FHC, desde que tivesse trajetória como a de Lula. Nosso público é formado pelos Lulas de ontem."

Coordenador de produção e difusão do Cinema em Movimento, Diego Paiva disse que, "a princípio", não haveria problema em exibir a produção. "A única restrição seria classificatória", declarou Paiva. O projeto já chegou a 1,7 milhão de espectadores desde 2000.

De acordo com a Petrobrás, "todos os projetos patrocinados contam com curadoria artística". "Cabe exclusivamente aos curadores a seleção da programação de filmes exibidos, sem que haja qualquer ingerência da Petrobrás. Além disso, nos projetos que trabalham com mostras itinerantes, a programação inclui apenas filmes que saíram de cartaz."

Cine Brasil em Tela, projeto dos cineastas Laís Bodansky e Luiz Bolagnesi, também é uma das iniciativas que poderão ser usadas no futuro. A entidade, que tem patrocínio da CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias) e Fundação Telefônica, afirmou que teria interesse em exibir o filme de Lula.

A busca por entidades alternativas se baseia num fato: o número de salas no Brasil hoje é menor que o da década de 70. Em 2008, o País tinha 2.278 salas, segundo a Ancine. Em 1975, eram 3.276 salas. J.D.