Título: Lula convoca conselho para enquadrar a Abin
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/10/2009, Nacional, p. A6
Para sacramentar de vez o enquadramento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou para amanhã reunião do Conselho Nacional de Defesa para discutir a nova Política Nacional de Inteligência, que será encaminhada ao Congresso.
Na reunião realizada no início de setembro, Lula aprovou a política mas pediu que algumas modificações fossem feitas. Ficou definido que todo o sistema de inteligência do governo ficará subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e não à Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
A nova política de inteligência lista as ameaças que a área de informações do Estado deve combater. O rol inclui terrorismo, narcotráfico, crime organizado, corrupção e sabotagem, entre outras.
Ao listar as ameaças ao Estado, foram lembradas, por exemplo, a guerra cibernética e a espionagem, que ocorrem especificamente na área de tecnologia, no agronegócio e nas indústrias aeronáutica e aeroespacial. O governo quer ainda reforçar as áreas de contrainteligência e os trabalhos voltados para o campo externo.
Na reunião ainda deverão ser definidos os limites de cada setor de inteligência, que atualmente é dividido em quatro grupos - de Estado, militar, econômico-financeiro e de segurança pública.
CAÇAS
Fora da pauta oficial da reunião, a licitação de compra dos caças para a Força Área Brasileira (FAB) também pode ser debatida. A decisão é aguardada e já desencadeou intensa disputa entre França, Estados Unidos e Suécia, países fabricantes dos aviões Rafale, F-18 e Grippen, finalistas da licitação. Lula declarou preferência pelo francês Rafale, depois de considerar a França um parceiro estratégico.
A expectativa é que o presidente Lula volte a dar algum novo sinal sobre o que pretende da concorrência para a compra dos caças, que ainda está em andamento e não tem data para ser concluída.
A ideia do governo é concluir este processo ainda este ano, para que a discussão não seja adiada para 2010, ano de eleições presidenciais, o que pode atrapalhar ou até impossibilitar a finalização do negócio.