Título: A pedido do PMDB, Lula pode tirar licença de 1 mês
Autor: Domingos, João ; Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/10/2009, Nacional, p. A8
O objetivo do partido é garantir uma dedicação integral do presidente à campanha da ministra Dilma, apresentando-a como a 'mãe do PAC'
Cobrado pelo PMDB, que ainda tem dúvidas quanto ao potencial de votos da ministra Dilma Rousseff para vencer a eleição no ano que vem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admite que poderá até tirar um mês de licença para se dedicar integralmente à campanha de sua escolhida, caso as pesquisas eleitorais apontem para um desempenho dela menor do que o esperado.
De acordo com informações de auxiliares de Lula, o presidente chegou a admitir a possibilidade da licença para fazer a campanha de Dilma, mas sempre ressalvou que só o faria em último caso. A ideia do presidente e de Dilma é forçar o eleitor a fazer uma comparação entre os dois mandatos do antecessor, o presidente Fernando Henrique Cardoso, com os dois do petista. Assim, julgam conseguir que a eleição de 2010 seja plebiscitária. E acreditam que vão vencer, dando ao PT mais quatro anos de mandato.
No PMDB, a ala comandada pelo líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), defende a licença de Lula por pelo menos um mês. Para esse setor, caso o presidente se dedique durante esse período a carregar Dilma a tiracolo, apresentando-a como a "mãe do PAC" - o Programa de Aceleração do Crescimento -, não haverá como tirar a eleição da ministra e, por tabela, do PMDB, que terá o vice da chapa.
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no entanto, acha que só o fato de Lula viajar com Dilma, como fez nos últimos três dias pelo Rio São Francisco, já será suficiente para aumentar a capacidade de transferência de votos dele para a ministra. "Acho que o presidente pode ficar no cargo, sem problemas. Ninguém consegue mesmo fazer campanha por 24 horas no dia. As viagens dele, a inauguração das obras, já serão suficientes para que a população veja a ministra Dilma como candidata", disse Cunha.