Título: Objetivo é desgastar o movimento
Autor: Costa, Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/10/2009, Nacional, p. A4

Análise

No curto espaço de seis anos, esta é a segunda CPI criada no Congresso para investigar o repasse de verbas do governo federal para associações e cooperativas rurais ligadas ao MST. A primeira delas, instalada no Senado em 2003, primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não teve resultados objetivos. Dois anos de debates e dois relatórios não tornaram mais eficiente o controle do repasse de verbas, não reduziram seu fluxo, não responsabilizaram ninguém pelas supostas falhas e, pior, não melhoraram a reforma agrária.

Não são só resultados objetivos, porém, que contam nestas iniciativas. Nos próximos meses a CPI vai pôr o MST sob os holofotes, expor e debater suas fraquezas, especialmente as ligações cada vez mais estreitas que o movimento mantém com órgãos do governo, tentar enfraquecê-lo perante a opinião pública. O objetivo é acuar o movimento, que, após perder força no final do governo de Fernando Henrique Cardoso, voltou a se exibir com desenvoltura no governo Lula, retomando invasões de terras, destruição de plantações consideradas antiecológicas, ataques ao agronegócio, críticas aos índices de produtividade rural em vigor no País.

O governo Lula, certo de que também ficará exposto nesta guerra, segurou a CPI enquanto pôde. A gota d"água foi a divulgação, dias atrás, das cenas de destruição de uma plantação de laranjas no interior de São Paulo. Elas tiveram o poder de animar os opositores do MST e desanimar seus aliados.