Título: Pressão internacional dá resultados, celebra Israel
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Fonte: O Estado de São Paulo, 22/10/2009, Internacional, p. A14
Embora se mantenham cautelosos, israelenses crêem que Teerã mostra-se suscetível à ameaça de sanções
EUA e Israel manifestaram otimismo ontem em relação à proposta apresentada, em Viena, pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - para processar na Rússia 75% do urânio de baixo enriquecimento para o Irã.
Para o vice-ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai, a negociação de ontem, em Viena, "prova o quanto a pressão internacional é significante" para manter as pretensões nucleares iranianas sob controle. "O Irã é um país suscetível à pressão mais do que nós tendemos a estimar", disse à Rádio do Exército Israelense.
Vilnai ressaltou também que, mesmo que o acordo seja definitivamente aprovado por todos os países envolvidos - Irã, EUA, Rússia e França -, a pressão internacional deve continuar sobre Teerã para garantir que o país não venha a produzir armas nucleares secretamente no futuro.
O sinal de aprovação israelense coincidiu com o início do maior exercício militar da história das operações conjuntas com os EUA. A ação, prevista para durar duas semanas, mobiliza 2 mil militares de ambos os países, além de 17 navios de guerra e diversas baterias antiaéreas, simulando a reação a um ataque com mísseis de diversos alcances - o que foi interpretado como um treinamento de resposta a agressões vindas do Irã, do Líbano ou da Síria.
A preocupação israelense com o Irã deve-se ao fato de o presidente Mahmoud Ahmadinejad fazer repetidas ameaças aos israelenses, negar a existência do Holocausto e não aceitar o direito de existência do Estado de Israel. Presume-se que Israel tenha até agora o único arsenal nuclear do Oriente Médio.
OTIMISMO
Do lado americano, a reação também foi positiva e antecipou a disposição da Casa Branca de aprovar definitivamente o texto proposto em Viena.
"Espero que de hoje (ontem) até sexta-feira estejamos em condições de anunciar que aprovamos (a proposta)", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly. Para ele, o documento é "aceitável" e "muito positivo".
A reação política ficou por conta da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.
Para ela, o "início construtivo" do diálogo "deve ser seguido por ações construtivas" do governo iraniano. Hillary disse que "se o Irã for sério em dar passos concretos para responder às profundas preocupações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear, os EUA discutirão, tanto multilateralmente quanto bilateralmente, todos os assuntos que dividiram EUA e Irã por tantos anos".
FRANÇA
A negociação em Viena quase fracassou na segunda-feira, depois que o Irã criticou a presença da França no grupo, por não ter cumprido com acordos nucleares mútuos no passado.
Uma reunião a portas fechadas entre os representantes do Irã, EUA, Rússia e AIEA contornou o impasse no fim do dia. Apesar da tensão, o chefe da comissão francesa, Jacques Audibert, disse que Paris apoia o texto proposto.
"De forma geral, (o documento) convém a todo mundo, resta saber se os iranianos aceitarão. Esperamos dar a resposta final até sexta-feira", disse Audibert.