Título: Brasil é vítima do próprio sucesso, diz FT
Autor: Fernandes, Adriana ; Goy, Leonardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/10/2009, Economia, p. B3

Jornais estrangeiros veem País forte, mas alertam para armadilhas

Em reportagem publicada ontem, o diário britânico Financial Times afirma que o Brasil é "vítima do seu próprio sucesso econômico" - razão pela qual taxou em 2% o capital estrangeiro.

Em quatro artigos dedicados ao tema em quatro seções diferentes, o jornal aposta ainda, como outros, que a iniciativa deve ser pouco eficiente no objetivo de conter a apreciação do real frente ao dólar. "O principal objetivo do governo é combater a volatilidade", diz o FT.

O artigo mais noticioso, que ganha espaço na primeira página, afirma que, "se o governo está tentando conter o avanço estável do real em relação a outras moedas com a taxa de 2%, muitos estão céticos quanto à hipótese de dar certo".É que, diante das boas perspectivas para o País, a atração de capital externo tem crescido a passos largos: "O Brasil se tornou vítima de sua própria resistência à crise."

Como explicou um analista, citado em uma segunda reportagem, com a taxa o governo "está lutando contra todo o mercado". "Todo mundo quer estar no Brasil neste momento", disse ao jornal.

Em dois outros artigos, mais analíticos, o FT avalia outras razões para a apreciação do real. O jornal diz que, se tiver sido unicamente por causa da riqueza gerada - rapidamente - pela alta das commodities, há razões para impor a taxa e tentar evitar a especulação financeira. "Por outro lado, se a força do real se dever à permanente mudança nos termos de comércio do Brasil, há pouco que o governo possa fazer. Uma taxa de câmbio sobrevalorizada pode reduzir a competitividade, mas a resposta a isso é mais produtividade.""

OUTROS JORNAIS

Para o americano Wall Street Journal, a medida "sublinha a enorme demanda dos investidores por ativos brasileiros, no despertar da crise global. O forte sistema bancário e a classe consumidora ajudaram a anular o efeito da freada econômica, tornando a nação sul-americana um dos poucos lugares bem-sucedidos no mundo".

Para o Cinco Días ( maior diário financeiro espanhol), "o escolhido para os Jogos Olímpicos de 2016 está na moda, mas se recusa a se converter na próxima bolha especulativa".

O El País diz que "a crise deixa, até o momento, dois grandes ganhadores: os emergentes asiáticos e o Brasil". "Em ambos os casos o sucesso tem seus perigos. A bolsa brasileira subiu mais de 70% e o real mais de 30% no ano: dois sinais de fortaleza, mas também de um perigoso reaquecimento."