Título: Queda de braço pode dividir o banco em dois
Autor: Landim, Raquel
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/10/2009, Economia, p. B12
A disputa entre os Ministérios do Desenvolvimento e da Fazenda pode terminar partindo em dois o Eximbank. Uma sugestão que circula no governo e ganha força é criar também um estatal de seguro de crédito. Assim, o Ministério da Fazenda perderia menos poder, porque o Fundo de Garantia à Exportação (FGE) continuaria ligado ao Tesouro. "Não é o ideal, mas talvez seja a única solução", disse uma fonte do governo.
A proposta inicial dessa corrente era desistir do Eximbank, deixando o financiamento para os bancos privados, e criar apenas a seguradora. Mas a ideia não satisfaz os anseios políticos do governo federal, que deseja apoiar as exportações em um momento de crise e tirar do papel uma promessa de administrações anteriores.
O principal argumento em defesa da seguradora de crédito estatal é que as garantias são a maior deficiência dos mercados, pelos altos valores envolvidos. Está em discussão no governo concentrar os fundos de garantia das exportações, de projetos de infraestrutura e de crédito adicional.
Dessa maneira, aumentaria o volume de recursos disponível, propiciando alavancagem maior, o que significaria mais dinheiro à disposição do exportador. Atualmente, o FGE é operado pela Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE), que pertence a Coface, BNDES e Banco do Brasil. O problema é que a Coface é de capital francês, o que incomoda o governo brasileiro.
Os exportadores querem ver o Eximbank sair do papel, mas não apoiam a alternativa de duas instituições diferentes. O setor privado prefere que o banco esteja ligado ao Ministério do Desenvolvimento, tradicionalmente mais próximo dos seus anseios e menos preocupado com as contas públicas. Um executivo, que preferiu não se identificar, disse temer que, por pressão de mostrar resultados antes das eleições, o governo enfraqueça o Eximbank e crie apenas um "elefante branco".