Título: Diretor-geral empresta imóvel público a servidor
Autor: Colon, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/10/2009, Nacional, p. A4

Prática também usada por Agaciel Maia ficou conhecida durante escândalo dos atos secretos

Novos diretores, velhas práticas. O servidor Carlos Eduardo Batista de Oliveira, chefe de gabinete do diretor-geral, Haroldo Tajra, acaba de receber as chaves de um apartamento do Senado, em Brasília. Ao Estado, a assessoria de Tajra justificou que o funcionário separou-se da mulher e precisa de um refúgio. A entrega do imóvel de três quartos foi publicada no Diário Oficial da União há três semanas.

Ex-assessor do senador Efraim Morais (DEM-PB), Haroldo Tajra assumiu em junho a diretoria-geral, após a queda de José Alexandre Gazineo, que foi adjunto do ex-diretor Agaciel Maia, em meio ao escândalo dos atos secretos. Tajra comandou a legalização de cerca de 190 desses boletins sigilosos entre julho e agosto.

O diretor-geral assina o relatório final que isentou os senadores de qualquer responsabilidade por essas medidas secretas, editadas na gestão de Agaciel Maia, que deixou o cargo em março após a revelação de ter ocultado a propriedade de sua casa em Brasília.

Homem de confiança de Sarney desde 1995, Agaciel também distribuiu imóveis do Senado a aliados, incluindo sua secretária, Cristiane Tinoco Mendonça, e o braço direito Valdeque Vaz de Souza. Por enquanto, ninguém foi obrigado a devolver as chaves.

Cristiane, aliás, ganhou no dia 14 deste mês um cargo com função comissionada na Secretaria de Engenharia, numa demonstração de que o grupo político de Agaciel mantém seu prestígio dentro da Casa, cuidando de contratos e secretarias. Ele também dá as cartas, informalmente, no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB).

Conforme revelou o Estado no último dia 9, Agaciel negocia com Sarney a absolvição no processo disciplinar sobre sua participação na edição dos atos secretos. A sindicância interna, que tem previsão de término no dia 7 de novembro, deve pedir sua demissão. Caberá a Sarney acatar ou não a recomendação.

OUTROS ALVOS

Outro alvo da investigação é o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, também acusado de ligação com os atos secretos. Zoghbi responde ainda a outro processo, referente ao esquema de fraudes na concessão de empréstimos consignados a servidores do Senado. Ele e Agaciel estão na mira da Polícia Federal e do Ministério Público, que apuram essas acusações.