Título: Casa vai tentar mapear funcionários fantasmas
Autor: Colon, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/10/2009, Nacional, p. A4
Uma das poucas medidas postas em prática depois da crise política envolvendo a administração do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), iniciada em fevereiro passado, foi o recadastramento de funcionários da Casa. A ideia do censo, para saber quem é quem na folha de pagamento de R$ 2,1 bilhões, partiu do primeiro-secretário, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).
No dia 27 de agosto, os 6.267 funcionários do Senado - divididos entre 3.418 efetivos e 2.849 em cargos comissionados - foram intimados a preencher um formulário, que deveria ser enviado via internet, ou por correspondência, no prazo máximo de 30 dias.
Como 828 servidores não deram resposta, a direção do Senado decidiu esticar o prazo de entrega. Agora, o fim do censo está marcado para a meia-noite da próxima segunda-feira.
Dos funcionários que ainda não participaram, 663 começaram a preencher o formulário, mas não concluíram a operação ou deixaram de imprimir o recibo do cadastramento. Outros 165 sequer iniciaram o processo.
Além de dados pessoais de identificação, o Senado pede informações sobre o cartório onde o servidor teria se casado e sobre os seus dependentes. Outros pontos são necessários, no caso dos funcionários efetivos, para o pagamento de pensão. Há dois quadros separados para determinar a vinculação funcional dos que trabalham em Brasília ou nos Estados, além de um questionários sobre eventuais participações em sociedades privadas ou no comércio. A última pergunta é quanto à existência de companheiros ou parentes contratados pela Casa.
A Diretoria-Geral do Senado informa que serão abertos processos contra os servidores que não se apresentarem para o recadastramento. Ameaça, ainda, suspender o salário, o que nunca foi feito na Casa - nem mesmo contra funcionários fantasmas, contratados por atos secretos, esse tipo de medida foi adotada.
EXONERAÇÃO
Sarney afirmou ontem que, se ficar comprovada a existência de fantasmas no quadro de pessoal, eles serão imediatamente exonerados do Senado. "Se existirem, nós vamos demitir. Funcionário fantasma não se pode permitir. Pelo menos, nós vamos procurar saber quem são essas pessoas."